UMA COMUNIDADE MISSIONÁRIA CENTRADA NO EVANGELHO.
Ev. Luciano Costa
INTRODUÇÃO: Há tantas igrejas que estão “fazendo missões”, sem contudo, pautar sua visão e ação missionária nos pressupostos bíblicos teológicos que a missão de Deus pressupõem. Nossa ação missionária deve estar pautada e conduzida pelo entendimento do evangelho que abraçamos (convicção e confissão de fé), que proclamamos (evangelização) e que ensinamos (evangelização e discipulado), e que a mesma seja genuinamente bíblica (teologicamente coerente com a Palavra de Deus).
Consideremos uma característica definitiva de uma comunidade centrada no evangelho: “A comunidade centrada no evangelho é uma comunidade que alcança outras pessoas como Deus a alcançou”.
Nenhuma igreja pode se utilizar dos recursos que Deus dispôs para ela, apenas para seu próprio usufruto, é uma usurpação! Ela é uma igreja enviada e deve estar em missão, falhamos sempre que não compreendemos qual é a nossa identidade e para o que fomos chamados? Investimos onde Deus não mandou e ampliamos o que ele não nos mandou ampliar, enquanto isso, os campos estão brancos, missionários treinados esperam ser enviados, outros aguardam a complementação de seu sustento...
I – O QUE É UMA COMUNIDADE CENTRADA NO EVANGELHO?
a)      Uma comunidade que reflete o evangelho em sua vida diária.
Em seus relacionamentos, em suas famílias, vivendo Coram Deo. Para refletir o evangelho em suas relações do cotidiano a igreja precisa ter uma cosmovisão bíblica, não dicotomizada de sua vida com Deus. (Atos 2.44;46;32) 
b)     Uma comunidade que se reúne para aprender sobre o evangelho.
 John Stott falando sobre essa característica aponta: “A primeira característica que Lucas menciona é muito surpreendente; acho que nós não a teríamos escolhido. É que uma igreja viva é uma igreja que aprende. “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos” (At 2.42).  
c)      Uma comunidade que tem a alegria das boas novas compartilhada. Se a igreja não encontra espaço para compartilhar o evangelho durante a semana [em seus relacionamentos casuais], e deixa apenas algum momento no domingo para “evangelizar”, ela se imagina com um dever de anunciar em algum momento, mas não se percebe como uma igreja em essência querigmática. (Atos 5.42; 6.7)
d)      Uma comunidade que discípula os seus convertidos.
Muitas vezes achamos que nossa missão evangelizadora é concluída quando alguém aceita a Cristo, o processo apenas começou, mas a pessoa não conhece [aprendeu sobre o que é o evangelho] ainda o evangelho que abraçou pela fé, ela precisa ser ensinada a guardar essa nova verdade revelada por Deus no evangelho, como ela vai praticar um evangelho que desconhece? (Atos 8.29-31).
e)      Uma comunidade que treina os seus vocacionados. Nem sempre damos a devida atenção aos vocacionados que temos na comunidade. Só atentamos para os “chamados específicos” que são reconhecidos como missionários, ou pastores que assumirão trabalhos ou serão enviados (Efésios 4.11-12). E os vocacionados que sempre teremos na comunidade? Como viverão seus chamados? Quem são eles? Como serão treinados e oportunizados no desenvolvimento de seus dons e talentos? [Procuremos entender no mesmo texto o que Paulo quis dizer com “...querendo o APERFEIÇOAMENTO dos santos, para a OBRA DO MINISTÉRIO, para a EDIFICAÇÃO do corpo de Cristo, até que TODOS cheguemos à UNIDADE da fé...(...) para que não sejamos mais meninos inconstantes... (...) antes SEGUINDO a VERDADE em AMOR, CRESÇAMOS em TUDO naquele que é a cabeça, Cristo”]. (Efésios 4.11-15).
f)        Uma comunidade que envia missionários, porque ela tem consciência que é enviada. Temos que acabar com essa visão mesquinha que o envio de missionários para plantar novas igrejas é coisa para igrejas grandes, que tem muitos recursos! Plantação de novas igrejas é um processo natural para igrejas saudáveis e espiritualmente conscientes de sua missão. Podemos plantar uma nova congregação no bairro de nossa cidade aonde ainda não tem uma igreja acessível, naquela comunidade rural do nosso município e vamos ampliando o campo de atuação, conforme a visão e o envolvimento da igreja cresce. (João 20.21). [“Sempre fiz questão de pregar o Evangelho onde Cristo ainda não era conhecido...” (Romanos 15.20 BKJ).
g)      Uma comunidade que se envolve com a plantação de novas igrejas, sem contudo, se deter em suas próprias limitações. A plantação de igrejas tem se mostrado o meio mais eficiente para a divulgação e perpetuação do evangelho em várias culturas, contextos e realidades. Somente a proclamação e a evangelização não podem subsistir sem que haja um grupo de pessoas que se reconheçam e se percebam como igreja. Oração, evangelização, evangelismo, discipulado, batismo, ensino contínuo da Palavra de Deus são meios legítimos pelos quais uma igreja é plantada, mas se tudo isso não resultar em plantação de novas igrejas, perde-se os seus resultados ao longo do caminho”! (Luciano Costa). [Há igrejas com 50 anos de existência, mas que nunca geraram nenhuma filha! Qual a questão? Outras há que tem apenas três anos de existência e já estão gerando filha(s).]

h)     Uma comunidade que entende qual o propósito da adoração em sua vida e missão. A adoração não é um evento que participamos, a adoração nessa comunidade está refletida nos compromissos com a santidade, amor mútuo, na alegria do serviço cristão prestado com a motivação correta, a glória de Deus. O próprio culto culmina nesse ambiente saudável, onde os talentos e dons apenas são meios que glorificam a majestade divina e não o ego humano. Ninguém reclama de uma oportunidade que não teve, pois ao sair de sua casa para o ajuntamento essa pessoa já sabe quem é em Cristo, e o que ela fará na ambiência da reunião de adoração. Ela simplesmente adora e se voluntaria para servir! Não busca outra glória, somente a glória de Deus e louvá-lo! [Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. (Atos 2.47)].
II – ALGUNS CONCEITOS EQUIVOCADOS SOBRE A MISSÃO.
Com o intuito de compreendermos melhor esse termo, precisamos analisar alguns conceitos equivocados que ao longo dos anos tem estado na ambiência evangélica. (Conceitos equivocados porque não compreendem a plenitude da missão, mas a fragmenta e a diminui)
1-      “A palavra missionário só se refere a quem recebeu o chamado especial de Deus para se dirigir a outras culturas e pregar o evangelho.” (Extraído do livro “A Comunidade Centrada no Evangelho”. Fiquei recentemente sabendo através de uma jovem que está fazendo uma escola de missões, que é essa compreensão que e ensinada lá.
2-      O desafio de motivar os vocacionados a viverem seu chamado aonde estão e aonde forem. Que esse chamado esteja presente em sua própria profissão e capacitação, que ele seja exercido no púlpito ou nas ruas, nos corredores de um hospital, ou em uma sala de aula, ou numa creche, ou em um asilo para idosos, o relevante é sermos fieis mordomos daquilo que Deus nos deu e nos proporcionou! Não nos preocupamos com os “outros” vocacionados”, pois essa “vocação” é secular e por isso não é sagrada a ponto de ser tratada como algo de Deus!
3-      Que o envio missionário é para super-heróis, missionários enviados são seres “angelicais” santos de um outro nível.
IV – COMO PRATICAMOS NOSSA CENTRALIDADE NO EVANGELHO ONDE ESTAMOS INSERIDOS?
a)      Qual o nosso nível de relacionamento com as pessoas de fora de nossa comunidade cristã? Quero trazer alguns pontos que estão no livro “A Comunidade Centrada no Evangelho”:
b)       “Todas as pessoas do nosso grupo mantêm amizades genuínas com não cristãos? (O ponto não é se você, em particular, chamaria não cristãos de amigos, mas se eles o chamariam de amigo).
c)      “Nosso grupo cria espaço para que esses relacionamentos ocorram? Somos um grupo de cristãos isolados que vivem de forma individual ou vivemos juntos em missão? Conhecemos os amigos não cristãos dos nossos amigos?”.
d)      “A linguagem que utilizamos é acessível aos de fora? Ou nossas conversas são regadas a jargões cristãos, piadas internas ou referências à igreja que fazem sentido apenas à nossa tribo?”.
e)      “Reunimo-nos em lugares que os não cristãos consideram hospitaleiro e acolhedor? Existe alguma coisa sobre o local, o período ou a dinâmica do nosso encontro que tornaria difícil a participação de alguém de fora?”.
f)        “Participamos de modo ativo da vizinhança em que nos reunimos? Ou apenas nos encontramos nesse lugar, estudamos a Bíblia e em seguida vamos embora novamente? Os não cristãos nos veem trabalhando para o bem da vizinhança ou cuidamos apenas das necessidades do nosso grupo?”.
g)      Qual o nosso envolvimento na missão de Deus a outros lugares e culturas (enviando pessoas ou indo)? [Extraído do Livro A Comunidade Centrada no Evangelho].
FINALIZANDO ESSA ABORDAGEM (não concluindo a temática).
Uma Comunidade Missionária Centrada no Evangelho é uma igreja que prima pelo conhecimento e ensino e proclamação do Evangelho, pela koinonia, e pelo serviço abnegado pela causa de Cristo. Há alegria no servir, a adoração não é um fardo ou uma agenda de domingo. Há crescimento espiritual e quantitativo na mesma. É uma igreja de visão e ação. Gerando vidas e multiplicando-se por onde quer que for!

FONTES CONSULTADAS
Bíblia Sagrada. Versão BKJ.
THUNE, Robert H. & WALKER, Will. Comunidade Centrada no Evangelho. Editora Vida Nova. São Paulo. 2017.
STOTT, John. A Missão Cristã no Mundo Moderno. Editora Ultimato.Viçosa-MG. 2010.
STOTT, John. A Igreja Autêntica. Editora Ultimato/ABU Editora. São Paulo. 2013.
* Luciano Costa é pastor de tempo integral na Assembleia de Deus na cidade de Santana do Matos-RN. Pedagogo –UERN. Atualmente está fazendo o Curso Intensivo Plantador de Igrejas da Atos 29. Coordena a EMITES (Escola Missionária de Treinamento Estratégico para o Sertão). Há doze anos atua na plantação e revitalização de igrejas no Sertão do RN.











Uma igreja é realmente plantada no sertão de forma saudável, quando ela consegue desenvolver seus ministérios (dons de serviço, dons espirituais, dons ministeriais) e cumprir sua missão discipuladora em seu próprio contexto! Quando ela treina seus membros (para o serviço cristão), forma novos líderes (com a visão de servir ao Reino) e permite o desempenho de seus vocacionados (talentos, profissões à serviço do Reino) e o crescimento espiritual destes! Quando ela realmente se torna saudável, as disputas de “poder” e por visibilidade humanas são substituídas por um serviço (ministério) abnegado e alegre, realizado única e exclusivamente para a glória de Deus”!
(Luciano Costa)


POR QUE NÃO EVANGELIZAMOS?
Luciano Costa
Introdução: Não sabemos aonde deixamos de lado essa prática que permeou o crescimento das ADs pelo brasil. A evangelização não era algo tão planejado (não que seja errado planejar) todavia, era uma ação que fazia parte da vida da própria igreja, era algo que fluía naturalmente. Hoje no entanto, embora haja uma vasta literatura disponível sobre como evangelizar, cursos, palestras, seminários e afins, mas poucos se dispõem para ir e pregar e/ou evangelizar pessoalmente, compartilhar as boas novas de salvação em Cristo Jesus.
Segundo, Mark Dever, “Reprovar é uma palavra que não usamos mais com frequência. É uma palavra severa, desagradável e inflexível. No entanto, talvez seja uma boa palavra a usarmos para assumir como muitos de nós temos saído em obedecer à chamada a evangelizar. Jesus nos mandou contar a todas as nações as boas-novas, mas não temos feito isso. Ele chama pessoas a serem pescadores de homens, mas preferimos observar. Pedro disse que devemos estar sempre preparado para responder a todo aquele que nos pedir razão da esperança que temos, mas não estamos. Salomão disse que quem ganha almas é sábio, mas falhamos nisso”. (DEVER, p.24. 2015).
É exatamente essa a palavra que pesa sobre nós. Não estamos sendo aprovados na proclamação das boas novas. Igrejas pararam no tempo, não crescem, não avançam, não geram vidas e adoecidas comprometem àquelas que estão sendo “mantidas” dentro de sua ambiência hedonista e pragmática.
1-     Será mesmo que a evangelização é tarefa para todos?
Um mito que alimentamos é que evangelizar é algo para especialistas na área! Mas na verdade quem mais fala de Jesus ao próximo são as pessoas comuns, simples e que sabem ou aprenderam apenas o básico sobre a teologia que abraçaram. Geralmente quem estuda muito a teologia, pouco dispõem seu tempo para pregar para pessoas na ruas, no trabalho, na faculdade e etc.
Mas o que a Palavra de Deus nos fala sobre essa responsabilidade?
a)     Mateus 28.18-20
b)     Estes discípulos levaram a sério a Grande Comissão dada por Jesus. Eles evangelizaram constantemente (At 5.42; 8.25; 13.32; 14.7; 15.21; 15.35; 16.10; 17.18).
c)     Mas hoje muitos perguntam, quem deve evangelizar? Só quem foi treinado ou se considera capacitado para tal!

2-     Quais desculpas estamos dando para não anunciar a Cristo? Para não evangelizarmos?  
a)     Não sei falar de Jesus. (Êxodo 4. 10-12).
b)     Tenho medo, não sou tão ousado assim. (II Timóteo 1. 7-8).
c)     Tenho vergonha, não sei como as pessoas vão me tratar. (II Timóteo 1.8a; Romanos 1.16).
d)     Não tenho habilidades e nem sou carismático a tal ponto. (II Pedro 1.3; Marcos 16.20; Atos 8.4).
e)     Evangelizar é uma tarefa para pessoas preparadas espiritualmente, não sei qual situação me aguarda. A questão é preparo espiritual? (Atos 1.8).
f)      Preciso amadurecer mais, só assim irei me envolver com a evangelização.
g)     Julgamos as pessoas como inacessíveis ao evangelho, acreditamos que elas não ouvirão e que não aceitarão a mensagem. (Romanos 10.14).
3-     Algumas sugestões aos que desejam se arrepender de sua desobediência ao cumprir com a grande comissão, na parte da proclamação; segundo o Mark Dever em seu livro “O Evangelho e a Evangelização”:
a)     ORE. “Acho que muitas vezes não evangelizamos porque fazemos tudo em nossa própria capacidade. Tentamos deixar Deus fora do assunto. (...) Em palavras simples, não oramos por oportunidades de compartilhar o evangelho. Então, por que devemos ficar supressos se as oportunidades não nos vêm? Se você não evangeliza porque acha que não tem oportunidades, ore e admire-se quando Deus responder às suas orações”.
b)     PLANEJE. Para vencer as desculpas de não ter tempo nem oportunidades, “precisamos planejar a separação de tempo para estabelecermos relacionamentos ou nos colocarmos em posições em que seremos capazes de conversar com não-cristãos. Fazemos planos para tantas coisas menos importantes; por que não os fazemos para a evangelização?”.
c)      AJA. Certamente não iremos evangelizar se não aceitarmos a condição que Cristo quer nos fazer, “pescadores de homens”, precisamos nos disponibilizar para ir e falar de Jesus para alguém. Orar, planejar e agir.
d)     COMPROMETA-SE. Se não formos e anunciarmos o evangelho estamos em velada desobediência à ordem do Senhor Jesus!E disse-lhes: "Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas”. (Marcos 16.15).


Ev.Luciano Costa. 13 de março de 2020. Doutrina na IEADERN em Santana do Matos-RN.








A MISSÃO DE DEUS E A IGREJA...


“E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!”

A missão de Deus está sendo realizada pelo próprio Deus. A missão sempre será possível, ela não pode ser impedida, nem abortada. A igreja é a agência escolhida para desempenhar e participar da missão do próprio Deus! A igreja não pode se omitir! Ela é privilegiada por ser convocada para participar daquilo que o próprio Deus está realizando no mundo. 

Contudo, nesse texto percebemos o que acontece quando a igreja se compromete e se envolve com essa missão em execução. “E eles, tendo partido...”. 

1- Uma igreja em movimento, uma igreja que age, que se envolve, que se move, que atua, que se mobiliza, que acredita no seu envio ao mundo e aonde está plantada. 

2- Eles partiram para ação! Partiram para obediência! Partiram para o alvo, partiram para a proclamação...

3- Temos que compreender que não precisamos esperar uma segunda ordem, não precisamos esperar algo mais especifico [ainda que haja vocações e chamados específicos (Efésios 4. 10-13], não precisamos ouvir um segundo ide, ou que devemos nos mover e ir, porque já somos uma igreja enviada em missão. Somos uma igreja enviada a pregar onde estamos e a aonde formos!

Aquele pequeno grupo ante o desafio que estava diante deles, não se intimidou: “... pregaram por todas as partes...”. Eles cumpriram a sua missão, se envolveram no chamado de cada um e na grande comissão de todos!

1- Eles pregaram! Isto é fato! Mas o que eles pregaram? A quem pregaram? Certamente não era uma proclamação de sua “denominação”, não era uma pregação antropocêntrica, na qual o homem está no centro de tudo, mas apresentavam a Cristo como Senhor e Salvador. Não pregaram a si mesmos, mas a Cristo!

2- Pregaram o Evangelho de Cristo! Não precisaram melhorar a mensagem a qual Paulo afirmara que era loucura para os que perecem ( I Co 1.18)! Não criaram atrativos para tornar o evangelho mais desejável, sabiam que a mensagem é poderosa (Rm 1.16) e não precisava de enfeites, de ser alterada ou modificada para atingir os corações endurecidos pelo pecado.

3- Não escolheram a quem deveriam pregar! Não escolheram aonde deveriam pregar! Pregaram por todas as partes a todos os que puderam alcançar! Apenas pregaram, como disse Paulo a tempo e fora de tempo (II Tm 4.2), aconselhando ao seu jovem obreiro (filho na fé) Timóteo. 

4- Por onde temos ido? Até aonde a nossa igreja local alcança? Até aonde a nossa luz irradia? Estamos realmente pregando? Estamos limitando o nosso campo de atuação? Somos como os “pintinhos” nascidos na chocadeira que ainda precisam estar e permanecer “aquecidos” dentro da mesma [isto é, das quatro paredes da igreja, local de reunião de cultos]?

5- Pregaram por todas as partes, diz respeito a pregar aonde estiver aonde for. Fala de uma igreja querigmática [proclamadora] das boas novas, essa igreja tem prazer, alegria, gozo em compartilhar as Boas Novas de salvação em Cristo Jesus. 

6- Pregaram por todas as partes fala de uma igreja em movimento intencional de propagação e plantação de novas igrejas por onde ia, eles não esperaram um segundo pentecostes para poder sair e pregar por todas as partes, entenderam que era essa a sua missão. 

7- Pregaram por todas as partes é uma ação que só acontece em uma igreja que tem a consciência que é e está enviada nesse mundo em missão, ela não precisa atravessar nenhuma outra fronteira, senão a da própria desobediência ao ide do Senhor. Ela sabe que vive no envio ao mundo e não pode nem deve fugir do mesmo. (João 20.21).


Quando a igreja decide obedecer e viver sua missão aqui na terra, algo extraordinário acontece, Deus entra em cena, “...cooperando com eles o Senhor.” Não há apoio melhor e maior, não há parceria que seja mais abençoada do que essa, o próprio Deus coopera conosco, é assim que o texto diz! 


1- Uma igreja que conta com a cooperação do Senhor na realização de sua missão proclamadora realiza grandes feitos para Deus, pois a cooperação de Deus muda tudo. Faz frutificar o trabalho, vidas são alcançadas, libertas, curadas e integradas ao corpo de Cristo. 

2- O contrário é simplesmente trágico. Quando a igreja “opera” sem essa cooperação, quando ela não inclui nem se importa de fazer suas próprias programações e eventos, sem contudo se preocupar com a missão de Deus nesse mundo, ela gasta muito, promove muito, se possível se esforça muito, mas colhe muito pouco ou quase nada. Porque Jesus mesmo falou: “Sem mim nada podeis fazer!” 

3- Nossa missão só é possível com a cooperação do Senhor, sem a sua cooperação não podemos ver a Palavra sendo confirmada, com os sinais que se seguiram àqueles que indo, partiram por todas as partes pregando a Cristo. 

4- Outra coisa, é indevida a operação de maravilhas para uma igreja que não sai a lugar nenhum para pregar a Cristo. Uma igreja que não anuncia o Evangelho não pode reivindicar as bênçãos que deste procedem! É uma usurpação o “culto dos milagres” para uma igreja que não prega em sua própria rua, bairro e cidade a Cristo! Uma igreja que não brilha, que não é sal e luz onde está plantada, não pode ser considerada igreja de Cristo! 


Perceba que o Senhor deseja confirmar algo, que ele almeja confirmar, no sentido de autenticar, participar, validar, fazer valer. “...e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram”. 

1- Deus não está interessado em confirmar nossas “teologias”, nem as falas dos eruditos de nossa época. Ele não se impressiona com nossos eventos mais famosos, nem como nossos cantores e pregadores midiáticos. Ele confirma a sua Palavra pregada por uma igreja que está em missão nesse mundo.

2- Ele atua conjuntamente com essa igreja que parte (vai e indo prega) por todas as partes (alcança lugares ainda não alcançados) pregando (anunciando de forma clara e compreensível a mensagem do evangelho). Ela só parte porque está convicta da mensagem e do Cristo que abraçou pela fé. [Por que muitos hoje não se movem do lugar para ir por todas as partes pregando a Palavra?].

3- Como Deus confirma a palavra? Com os sinais que se seguiram! Ele confirma a sua Palavra com curas, libertação, maravilhas e salvação. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer. 


Portanto, somos sim, uma igreja em missão! Enviada a partir e onde a mesma foi plantada! Deus o Pai e o Filho estão em missão e enviaram o Espírito Santo, e o Espírito Santo é enviado para estar com essa igreja em missão. A tarefa precisa ser levada a cabo, não podemos nos omitir. “E tendo eles partido...”.

Concluo esse raciocínio com esse texto bíblico: “E todos foram cheios do Espirito Santo, e começaram...” (Atos 2.4a). O que nos falta para começar? O que falta para a igreja concluir a sua tarefa missionária?


Autor: Luciano Costa. É pastor de tempo integral na Assembleia de Deus na cidade de Santana do Matos-RN. Casado há 22 anos com Jussária Morais e tem dois filhos Lucas Ezequiel e Leda Soares. 




Evangelismo e Ação Social no Contexto Sertanejo.
*Luciano Costa
Introdução: Tratar sobre essa temática, torna-se um desafio, partindo do ponto de vista, que vivemos momentos em que a igreja brasileira “pendula” para posições extremadas sobre como deve vivenciar e realizar a sua missão evangelizadora e discipuladora.
I – O contexto do Sertão
Quando olhamos para o sertão nordestino temos já “caricaturada” a imagem de um povo sofrido, pobre, de pouca cultura, castigado pelas secas. Mas a razão maior da pobreza e miséria no sertão não é apenas a seca. Em seu livro “Missionários para o Sertão Nordestino – desafios, capacitação e evangelização integral”, O Pr. Ildemar Nunes de Medeiros, ressalta:
“O sertanejo sofre mais com as injustiças sociais do que com a escassez de recursos naturais. Padece com a “indústria da seca”, manipulada por interesses políticos e por grupos poderosos, ou seja, a atitude mais comum é que se atribuam as causas da pobreza nordestina à natureza, ao clima, à geografia, quando na verdade as causas são decorrentes de problemas políticos, sociais e culturais, historicamente construídos”.
Percebe-se que no contexto sertanejo, há necessidades variadas, pobreza, analfabetismo, doenças, vulnerabilidade social, etc.  É um ambiente propício para a realização de ação social e de assistencial social. Todavia, como sou nascido e criado no sertão, percebo que há ações sociais que não contribuem com a evangelização, pela forma como são realizadas. |Em seu livro “A Missão Cristã no Mundo Moderno”, o John Stott, apresenta alguns conceitos sobre essa temática:
“Qual deveria ser a relação entre evangelismo e ação social no contexto da responsabilidade social? (...) Primeiro, alguns consideram a ação social um meio de evangelismo. (...) Em sua forma mais ostensiva, isto faz do trabalho social (seja alimentação, saúde ou educação) o açúcar no comprimido, a isca no anzol, ao mesmo tempo em que, em sua melhor forma, dá ao evangelho uma credibilidade que, de outra maneira, ele não teria. Em qualquer dos casos o cheiro de hipocrisia permeia nossa filantropia. (...) E o resultado de fazer do nosso programa social um meio para outro fim é que produzimos os chamados “cristãos cesta básica”. (...) A segunda maneira de relacionar evangelismo e ação social é melhor. Ela diz respeito à ação social não como um meio para o evangelismo, mas como uma manifestação do evangelismo, ou pelos menos, do evangelho que está sendo proclamando. Podemos quase dizer que ação social torna-se o “sacramento” do evangelismo, pois faz a mensagem significativamente visível. (...) Se for, ainda assim, e talvez até conscientemente, elas são apenas um meio para justificar um fim. Se as boas obras forem uma pregação visível, então elas esperam um retorno; mas se as boas obras forem o amor visível, então elas são feitas “sem esperar nenhuma paga” (Lc 6.35). Isso me traz ao terceiro modo de explicar a relação entre evangelismo e ação social, que creio ser a forma verdadeiramente cristã, ou seja, que ação social é uma parceira do evangelismo. Como parceiros, os dois se completam, mas são, mesmo assim, independentes entre si. Lado a lado, cada um se sustenta por si e possui sua própria autonomia. Nenhum deles é um meio para o outro, pois cada um é um fim em si mesmo. Ambos são expressões de amor genuíno. Como o Congresso Anglicano Evangélico Nacional em Keele declarou, em 1967, “Evangelismo e serviço de compaixão pertencem, juntos, à missão de Deus” (parágrafo 2.20)”.
Temos, portanto a compreensão que evangelismo não é ação social e ação social não é evangelismo! Todavia, há uma simbiose entre essas ações no cumprimento da missão de Deus nesse mundo, conciliar e manter o equilíbrio em nossa práxis missionária no sertão exige de nós uma compreensão bíblica e teológica pautada nos ensinos de Cristo sobre a referida temática. Quem sabe, essa falta de compreensão nos leve a praticar a ação social como um meio para “evangelizar” pessoas carentes, tentar aproximar pecadores de Cristo por outros meios desassociados do evangelho e/ou sem explicar o mesmo pode ser desastroso. Tenho visto ao longo de minha caminhada pelo sertão isso acontecer. Missionários que tem pautado suas ações missionárias prioritariamente através da ação social, acabam criando dificuldades no proclamação do evangelho em determinadas regiões muito carentes de nosso interior sertanejo. Reproduzindo a citação acima do John Stott, “E o resultado de fazer de nosso programa social um meio para outro fim é que produzimos os chamados “cristãos cestas básicas”. Há sim esse perigo no sertão e quando se cria essa cultura na qual a igreja chega numa comunidade primeiramente para realizar essa ação social, mesmo antes de se fazer conhecida: quem é, a quem serve e o que pretende anunciar, perde-se o foco! Perde-se a essência da proclamação bíblica das boas novas!
2- A evangelização como prioridade na proclamação das boas novas.
O termo evangelização nem sempre nos traz uma definição clara do que seja e de como devemos realizá-la, podemos estar realizando algumas atividades no intuito de evangelizar, sem contudo, entendermos biblicamente o que isso significa!
Segundo Wagner (1995, p. 124) descreve há imprecisão quando tratamos dessa temática:
Muitos cristãos agem como se o significado da palavra evangelização fosse tão óbvio que não precisasse de elaboração mais aprofundada. Até mesmo alguns autores de livros sobre evangelização caem nesta armadilha. [...] mais da metade dos livros sobre evangelização, os autores nunca param para explicar exatamente em que sentido usam esse termo. Como muitos outros, eles pressupõem uma definição de evangelização, e quando o fazem, normalmente adotam o que considero uma definição inadequada.
Acredito que é justamente nessa falta de definirmos clara e biblicamente o que é a evangelização, que abrimos espaço para nos distanciarmos tanto de seu entendimento como de sua prática. A evangelização não é um programa a mais nas atividades da igreja, não é apenas mais um departamento que elaboramos para atingir metas, a evangelização é uma ação natural de uma igreja que encarna o evangelho que ensina e que viva a verdade que proclama.
A evangelização pode ser definida como sendo a proclamação da obra salvífica de Nosso Senhor Jesus Cristo aos homens. Um dos maiores evangelistas da história recente, Graham (1983. p. 6) afirma que: [...] a evangelização preocupa-se com as pessoas e o seu relacionamento com Deus e também o seu relacionamento e responsabilidade para com o seu próximo. O anúncio dessa proclamação é exclusivo da igreja e deve ser analisado dentro do seu contexto bíblico teológico, não dos seus resultados. Tudo o que a igreja local está de fato fazendo pode ser chamado de evangelização? Para Packer (1990, p. 22): [...] Nem toda proclamação que “surte efeito” é evangelização e, nem toda a pregação que “não alcança os resultados esperados”, deixou de ser evangelização. Queiróz (1998, p.15) define evangelização da seguinte forma: [...] É o trabalho que igrejas e indivíduos fazem dentro de seu contexto cultural geográfico. Falando em termos práticos a evangelização é a proclamação do evangelho de Cristo através de sua igreja que é enviada ao mundo como sal e luz (Mateus 5.13-16). Segundo Gonçalves (2019, p. 17)
A função da evangelização é uma das expressões máximas da Grande Comissão. Por isso, sua comunicação precisa ser eclesiológica, teológica, dinâmica, contextual e integral. A Grande Comissão é moldada no evangelismo, na evangelização, na integração dos novos convertidos e no discipulado cristão. [...] Reiteramos que a Grande comissão tem suas quatro faces para ser praticada pela igreja. Há igrejas que dão ênfase só na evangelização e se esquecem da integração; outras têm seu foco na integração, mas se esquecem do discipulado; e sobre o evangelismo, nem comentam. (Grifo meu).
No contexto do sertão, a escassez de treinamentos e cursos voltados para área missionária pode ser a causa da perpetuação de uma evangelização descontextualizada e as vezes desassociada dos princípios bíblicos. No afã de conseguir ganhar pessoas para Cristo (ou mesmo para a sua igreja) muitas vezes os missionários-plantadores de igrejas, buscam a utilização de várias atividades com o propósito de atrair pessoas para a igreja; todavia, nem sempre está acontecendo uma evangelização bíblica e Cristocêntrica. É nesse contexto que a ação social, muitas vezes acaba se tornando um meio para “demonstrar o amor de Deus”, ou como citam muitos, a igreja pregando com suas obras. Portanto, vamos a tentativa de definirmos o que é ação social, assistência social e assistencialismo. Jamais a igreja de Cristo falhará em sua missão evangelizadora se ela pregar a Cristo:
Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos, mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. (I Co 1.22-24).
3- A Evangelização tendo como parceira a Ação Social – como podemos conciliar essa simbiose? Sem que uma possa depender da outra para e com os seus resultados.
Tenho observado alguns missionários tentando plantarem igrejas tendo como “locomotiva” a ação social ou mesmo projetos sociais de desenvolvimentos de áreas carentes. Todavia, apesar de alguns avanços percebidos em alguns lugares, é preciso notificar, que sempre há o perigo do projeto ou da ação social gerar uma dependência dela mesma, ao invés de causar o sentimento de dependência de Deus e de seu cuidado.  Atentando para esse perigos iminentes na evangelização do sertão, bem como procurando equilibrar a parceria que esta deve ter com a ação social. Quero mencionar um entendimento que considero equilibrado do pastor e missiólogo, Ronaldo Lidório (2018, p. 130-31):
Devemos entender que: 1) A ação social não produz fé. Ao contrário, é um resultado da fé; 2) A ação social se justifica pela necessidade de aflito. Não é um balcão de troca pela fé; 3) A ação social cria um ambiente propício para que a nossa fé seja percebida e outros sejam atraídos a Cristo, glorificando a Deus, como se lê em Mateus 5.16: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”.
Entendo que Lidório foi coerente com o a temática, quando não exalta a ação social como algo que deve ser feito a qualquer custo, sem contudo, ter os critérios bíblicos. Acredito que um grande equívoco hoje em algumas “teologias missionárias” é dizer que tudo o que a igreja faz é missão! Esse entendimento que tudo é missão causa uma confusão na efetivação da missão. “Se tudo é missão, nada é missão”. (Stephen Neil). Confundimos ou podemos confundir ação social com evangelismo, assistência social com evangelização, eventos e programas como se fosse integração de novos convertidos.
Surge então um questionamento – como podemos conciliar essas duas ações – evangelismo e ação social no contexto do sertão?
Definindo a ação social, no sentido que estou falando: ação social é uma ajuda necessária e especifica realizada por alguém, ou por um grupo de pessoas, no intuito de socorrer uma família e/ou indivíduo que esteja extremamente necessitado, Ex. Falta de alimentos, vestes ou doenças. (Tg 2.15-16; II Co 9.9-13; I Jo 3. 16-17).
Assistência Social – é uma ação mais elaborada que intenta mudar a realidade social, econômica, cultural de alguém, ou de uma família ou de uma comunidade. Tenta promover um pouco de seguridade social, diminuindo a vulnerabilidade social. Ex: Os projetos sociais do Governo Federal tem como política pública promover o desenvolvimento e erradicar a vulnerabilidade social dos menos favorecidos, embora isso nem sempre ocorra, pelo contrário, percebemos que tem causado também uma acomodação e dependência ao Programa.
Então, segundo a orientação do Lidório (2018, p.131) temos:
“Ao olharmos para uma área, bairro, cidade, segmento social ou etnia, devemos nos perguntar como podemos comunicar Cristo e a Palavra de forma que os valores do Reino produzam salvação e transformação espiritual, bem como um público testemunho social.
Alguns passos a serem dados:
1.                 Peça ao Senhor para sensibilizar seu coração e seus olhos, para enxergar e se condoer; ter verdadeira compaixão pelos que sofrem.
2.                 Busquem os segmentos mais sofridos, como as viúvas, órfãos, encarcerados, enfermos, imigrantes e solitários.
3.                 Desenvolva uma linha de ação a partir do perfil da sua igreja. Se há um corpo presente de médicos e enfermeiros, promova clínicas volantes. Se há pessoas dispostas, inicie uma creche de auxílio à comunidade carente. Se há um corpo de psicólogos, desenvolva um programa de auxílio às doenças emocionais.
4.                 Inicie um projeto pequeno e experimental e envolva-se pessoalmente neste projeto.
5.                 Envolva a igreja com a sociedade, ensinando que em todas as áreas da vida (espirituais ou sociais), o crente deve ser luz que brilha.
6.                 Não se deixe corromper pela revolta contra a miséria e injustiça, pois um espírito revoltado não possui equilíbrio para as decisões. (grifo meu).
7.                 Mantenha em mente que a Palavra é o melhor instrumento e o maior bem que você pode usar e entregar a uma sociedade, pois só o evangelho produzirá transformação durável e permanente.
Portanto, a exposição feita por Lidório busca esse equilíbrio, ela aponta ações que podem nos ajudar em nosso envolvimento através da ação social ou das obras de misericórdia.
Ele tem nos convoca a olharmos o que dispomos na igreja se temos profissionais que podem e devem, se desejarem (voluntariamente) envolver-se em alguma ação social que possa fazer a diferença em seu próprio contexto. Mas a fala aqui não gira em torno de algo que a igreja tem que fazer senão... mas algo que a igreja pode também fazer enquanto cumpre a Grande Comissão: evangelizadora e discipuladora.
É exatamente esse equilíbrio que precisamos buscar, no qual a ação social nos ajuda a proclamar o amor de Deus através de nossas boas obras (Mateus 5.16), sem contudo se tornar um substituto da proclamação das boas novas e da apresentação do plano da salvação na pessoa bendita do Senhor Jesus Cristo.
É possível sim, conciliarmos a evangelização com ação social, isto nunca deveria nos preocupar a ponto de termos que debater tanto sobre essa temática. Todavia, como ao longo do desenvolvimento de nossa missiologia temos sofrido influências diversas, agora se faz necessário atentarmos sobre como estamos fazendo e cumprindo nossa missão para que não transformemos nossas plantações de igrejas apenas em projetos de desenvolvimento comunitário, que não venhamos a transformar nossa ação social em uma ONG que vai suplantar o avanço e a relevância da igreja, quando esta tem que sobrevier à sombra daquela!
Portanto afirmo que a missão da igreja – primordialmente como vista na Grande Comissão, na igreja primitiva mostrada em Atos e na vida de Paulo – é ganhar pessoas para Cristo e edificá-las em Cristo. Fazer discípulos para Cristo – essa é nossa tarefa!

*O autor Luciano Costa. É pedagogo, pastoreia a Assembleia de Deus na cidade de Santana do Matos-RN. Coordena a EMITES – Escola Missionária de Treinamento Estratégico para o Sertão.
Contato: (84) 9.9939-1042 E-mail: luckcosta1@hotmail.com





BIBILOGRAFIA
Bíblia Sagrada. Almeida Corrigida.
STOTT, John. A Missão Cristã no Mundo Moderno. Editora Ultimato. Viçosa-MG. 2010.
DEYOUNG, Kevin & GILBERT, Greg. Qual a Missão da Igreja? Editora Fiel. São José dos Campos-SP. 2012.
MEDEIROS, Ildemar Nunes. Missionários para o Sertão Nordestino- Desafios, capacitação e evangelização integral. Betel Publicações. João Pessoa-PB. 2013.
LIDÓRIO, Ronaldo. Plantando Igrejas. Editora Cultura Cristã. São Paulo. 2018.
GONÇALVES, Paulo. Evangelização – A Igreja na busca da Excelência da Evangelização. Módulo 3.  Print. Impressões Inteligentes. Cacoal – Rondônia. 2019.
WAGNER, Peter. Evangelização Dinâmica. Miami, Florida. Editora Vida. 1995.






A IGREJA E A MISSÃO – aonde estamos e para onde caminhamos??
*(Luciano Costa)

Atualmente há um vasto interesse pela missiologia, pelo estudo da missio Dei, todavia, percebo que muitas vezes ainda nos encontramos “confusos” e/ou “pendulando” na compreensão de nossa missão como igreja nesse mundo, ou como participante da missão de Deus nesse mundo ou como igreja enviada a esse mundo, ou como igreja sinalizadora do Reino nesse mundo, ou como...
Podemos nos perder a partir dos significados das palavras, o que queremos dizer com a palavra “missão”? Qual o entendimento que nos vem à mente quando a ouvimos, ou melhor quando a pronunciamos? “Missão” e “Missões” são a mesma coisa? Perceba que, para compreendermos esses e outros termos relacionados a missiologia precisamos começar de onde estamos, e onde estamos? Com qual cosmovisão estamos? Permita-me citar um postulado da nossa igreja (Assembleia de Deus), quero citar um trecho de nossa “Declaração de Fé das Assembleias de Deus”, em seu Capítulo XI, e 6º parágrafo, que trata especificamente sobre “A missão da Igreja”; publicado no ano de 2017.
“Entendemos que a função primordial da igreja é glorificar a Deus: “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. (I Co 10.31). Isso é feito por meio da adoração, da evangelização, da edificação de seus membros e do trabalho social. (grifo meu). A igreja foi eleita para a adoração e o louvor de Deus, recebendo, também, a missão de proclamar o evangelho da salvação ao mundo todo, anunciando que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e que em breve voltará.  (...) O evangelho é proclamado, a homens e mulheres, sem fazer distinção de raça, língua, cultura ou classe social, pois “o campo é o mundo” (Mt 13.38). Jesus disse: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19-ARA), “e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Portanto, entendemos que é responsabilidade da Igreja a obra missionária. A edificação é realizada por meio do ensino da Palavra nas reuniões apropriadas da Igreja, como culto de ensino, da escola bíblica dominical. A igreja também exerce o ministério de socorro e misericórdia, que inclui o cuidado dos pobres e necessitados, e não somente dos seus membros, mas também dos não membros. (...) A igreja tem o papel de ser sal e luz do mundo, e essa luz resplandece por meio de nossas boas obras. Ensinamos que, para a consecução da sua missão, o Espírito Santo foi derramado sobre a igreja no dia de Pentecostes, e Cristo concedeu líderes para servir a Igreja: “Querendo o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12).
É claro que nessa abordagem sucinta da Declaração de Fé assembleiana, não podemos detectar toda a cosmovisão que a mesma tem esposado ao longo de mais de 100 anos, todavia, percebemos sua ênfase no propósito de continuar sendo uma igreja querigmática, isto é, proclamadora do evangelho. Mas isso compreende realmente toda a missão da Igreja? Até que ponto percebemos a nossa missão como apenas uma ação de ir e pregar? Será que o kerigma não é apenas um aspecto dessa missão de Deus no mundo? Qual a nossa compreensão sobre ser uma igreja “relevante” nesse mundo? Relevante para quem? Relevante para quê? As vezes realizamos muitas “missões”, e nos esquecemos do Deus da missão!
Para ampliar nossa discussão, quero citar, Johannes Blauw em seu livro, A Natureza Missionária da Igreja, publicado pela ASTE, em 2012:
“Tem havido, especialmente nos últimos dez anos, muita discussão sobre “Igreja e Missão” nos círculos missionários. Esta discussão não precisaria nos deter aqui, uma vez que ela já foi descrita em outros lugares. Mas precisamos discutir a questão sobre até que ponto a investigação bíblica nos dá oportunidade e direito de contrastar Igreja e missão. (...) Mas aconteceu um desenvolvimento extraordinário na teologia bíblica nas últimas poucas décadas, o qual levou à redescoberta da Igreja como comunidade do Reino, como comunidade de testemunho e de serviço no mundo e para o mundo. Fora do movimento missionário corrente, é aceita pela maioria a convicção de que a Igreja é Igreja missionária, ou então não é Igreja. A eclesiologia, que durante tantos séculos permaneceu estática, está sendo agora substituída gradualmente por uma outra mais dinâmica, que é tanto escatológica quanto missionária”. (BLAUW. 2012, p.145).
O que Johannes Blauw quer dizer, quando afirma que “com o desenvolvimento extraordinário da teologia bíblica, levou a redescoberta da Igreja como comunidade do Reino”? O que seria essa comunidade do Reino? Que agora atua com “testemunho e serviço no mundo e para o mundo”? Outro fator que nos chama a atenção, é quando ele fala que a eclesiologia que por muitos anos permaneceu estática... Que quer isto dizer? Acredito que uma eclesiologia estática, fala de parâmetros que não dialogam com a realidade e com o mundo atual, de uma cosmovisão estática e que estando formada e dicotomizada não consegue ver além do que as lentes predeterminadas mostram.  Acredito que jamais entenderemos sobre a missão de Deus nesse mundo e qual a nossa atuação na mesma, se primeiro não entendemos qual é a nossa identidade como igreja. A identidade da igreja precede a sua missão nesse mundo, porque ela não vai além da proporia compreensão que a mesma tem de si mesma”.
Contudo, se ainda podemos ampliar mais essa discussão, quero citar um trecho de “O Compromisso da Cidade do Cabo – uma declaração de fé e um chamado para agir”, que o mesmo traz em sua apresentação, publicado pela editora Encontro em parceria com a editora Ultimato, em 2014.
“Toda a igreja levando todo o evangelho para o mundo todo”
“Esta é uma fantástica e significativa declaração que o Movimento de Lausanne tem abraçado desde os seus inícios, no ido ano de 1974. O Movimento nasceu em torno do compromisso com a evangelização mundial e tem procurado entender esse mandato e ser fiel a ele em cada etapa da sua história. É por isso que se enfatiza a missão em termos geográficos, indo para onde nunca ou pouco se foi. Outra ênfase é fazer missão levando em conta cada contexto e cada nova geração. Daí a importância de se enfatizar a missão como a ampla vocação da igreja para viver e proclamar o evangelho em todas as áreas da vida e com todas as consequências, sejam pessoais ou comunitárias, morais e éticas, espirituais e emocionais, politicas, socioeconômicas e amplamente culturais. Assim é o evangelho: ele é para todos, para sempre e permeia todas as áreas da nossa vida” (grifo meu).   
Nesse trecho temos variadas afirmações que vão ampliando a forma de fazer teologia na América Latina. Essa compreensão modifica também a forma da igreja se perceber nesse mundo e consequentemente há uma modificação na sua forma de atuação no mundo. Agora não é somente a ênfase na ação querigmática da igreja, mas como esse kerigma acontece? Ao falar de uma integralidade do evangelho a afirmação do ‘Compromisso da Cidade do Cabo”, muda de forma consubstancial o entendimento do que é a missão da igreja nesse mundo. Essa mudança tem ocorrido consensualmente nos seminários teológicos e missiológicos da América e porque não dizer do Brasil. Agora a Igreja está em missão no mundo (ou pelos deveria estar), atuando onde está e a partir das posições que ocupa e não apenas considera a missão uma tarefa de alguns poucos vocacionados para isso. Porém surge um questionamento: “Se tudo é missão, nada é missão”. (Stephen Neil). Se a questão é ampliação da missio Dei, então o que não é missão?
PROCURANDO UMA DEFINIÇÃO PARA O TERMO MISSÃO
Observando o que até aqui foi proposto, percebemos que não chegamos a uma definição pronta sobre qual é a missão da igreja? Se há vários “entendimentos” sobre o que é a missão da igreja e se eles de certa forma diferem em seus princípios e postulados, será que não estamos comprometendo nossa práxis missionária por causa dessa “indefinição” do que somos e do que devemos fazer? Porque a base teológica de toda missiologia é sua cristologia e sua continuidade fundamenta-se na eclesiologia que a igreja crer e abraça como sua. Segundo David Bosh, em seu livro Missão Transformadora: “Desde os anos 1950, tem havido entre os cristãos um aumento notável do uso da palavra ‘missão’. Isso tem sido acompanhado de uma ampliação significativa de seu conceito, pelo menos em certos círculos”. Então essa fala do David Bosh está evidenciada nos vários conceitos acima dispostos como tentativa de significar a palavra ‘missão’. Porém, o próprio David Bosh, chega a uma conclusão (ele considerado um excelente missiólogo): “Não é surpreendente que Bosh conclua, algumas páginas depois: “Em última análise, missão permanece indefinível”.  Todavia, é necessário entendermos em que contexto ele afirma isso, pois ficaria complicado, concluir um livro assim. Sua assertiva tem lugar no momento em que ele fala de uma crise paradigmática pela qual passa a igreja, justamente entre outros aspectos considerados relevantes que estão “sofrendo” mudanças de significados e de atuação, está a questão missiólogica. É preciso dizer que todo o processo de crise implica em mudanças e em adaptações, em mudanças de compreensão e em mudanças na práxis, e estas são necessárias, sem contudo, dissolver todo um legado teológico e histórico que a igreja tem e constrói ao longo de sua existência.
Quero também citar um livro que eu considero relevante para essa discussão, pelo equilíbrio que os autores denotam ao tratar sobre “Qual a Missão da Igreja?”, escrito por Kevin DeYoung & Greg Gilbert, publicado pela Editora Fiel, em 2016.
“Em seu aspecto mais elementar, o termo missão implica dois aspectos para muitas pessoas: (1) ser enviado e (2) receber uma tarefa. A primeira ideia é coerente porque a palavra missão vem de uma palavra latina (mittere) que significa “enviar”. A segunda ideia está implícita na primeira. Quando somos enviamos em uma missão, somos enviados para fazer alguma coisa – e não tudo; recebemos uma tarefa específica”. (...)
De modo semelhante, John Stott argumentou que a missão não é tudo que a igreja faz, mas, antes, missão descreve “tudo que a igreja é enviada a fazer no mundo”.
A partir dessa compreensão “desmitificamos” a ideia de que a igreja tem que, que a igreja tem que ter uma alternativa a fome no mundo, que a igreja tem que ter uma saída para a violência no bairro, que a igreja tem que cuidar da precariedade da saúde das pessoas na cidade, quando dizemos que a igreja tem que resolver ou ter uma resposta para tudo, colocamos a missão como algo não especifico, mas casual, como algo que pode ser qualquer coisa, ou coisa nenhuma, ou todas as coisas novamente. Podemos tratar da questão sobre outro prisma, como igreja podemos nos envolver com isso e com aquilo, não devemos ser insensíveis as necessidades daqueles que nos cercam, mas sobretudo, que não percamos de vista qual é realmente o propósito que nos faz sermos enviados ao mundo e no mundo. Se há algo específico para o qual Deus nos chamou e nos comissionou, precisamos de toda a clareza possível sobre o que é, como acontece e quando deve acontecer. Ainda citando o livro “Qual a Missão da Igreja?”:
“Jesus até nos diz na Grande Comissão (como Mateus a relata) que devemos ensinar as pessoas a guardar “todas as coisas que vos ordenado”. Todavia, não significa que tudo o que fazemos em obediência a Cristo deve ser entendido como parte da missão da igreja. A missão que Jesus deu à igreja é mais específica do que isso. E isso, por sua vez, não significa que outros mandamentos de Jesus não são importantes. Significa que a igreja recebeu uma missão específica de seu Senhor, e ensinar as pessoas a obedecerem aos mandamentos de Cristo é uma parte inegociável dessa missão”. (...) Portanto, dizemos novamente: que a missão da igreja conforme vista na Grande Comissão, na igreja primitiva mostrada em Atos e na vida do apóstolo Paulo – é ganhar pessoas para Cristo edificá-las em Cristo. Fazer discípulos – essa é a nossa tarefa”.
É claro que parece uma explicação muito “simplista” para alguns que querem algo mais contemporâneo, algo mais “contextual”. Isto é, o que a narrativa bíblica nos apresenta e devemos nos ater ao texto bíblico e procurar transmitir a sua mensagem para essa geração atual, sem contudo, mudar seus princípios e sem mudar sua comunicação. Penso que essa “teologização” da missão a partir das ciências sociais, e a partir de uma hermenêutica crítica, e de uma abordagem econômica-política-social, da busca de novas teologias, que recusam os postulados teológicos da Reforma e a historicidade da igreja e da teologia cristã, causa a abertura para todo o tipo de interpretação do texto bíblico, bem como do Cristo apresentando na Palavra e do que é a igreja e a sua missão nesse mundo.
Os discípulos e a igreja primitiva, compreenderam qual era a missão deles, quem era o Cristo que eles haviam crido e o que significava ser igreja naquele contexto, em uma palavra simples como as que Jesus usou para chamar os pescadores à beira da praia “Então, disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e Eu vos farei pescadores de homens”. Mateus, 4.19.Acredito que as vezes teorizamos demais a missão quando deveríamos sermos obediente ao que a Palavra de Deus nos manda fazer, e com os recursos que ela diz que nós temos ao nosso dispor.
TENTANDO CHEGAR A UMA CONCLUSÃO...
Partindo do pressuposto bíblico que Jesus ordenou nas passagens da Grande Comissão (Mt 28.16-20; Mc 13.10; 14,9; Lc 24.44-49; At 1.8). A igreja deve ser a agência proclamadora das boas novas de salvação, deve ser um lugar onde pecadores são transformados pela graça de Deus em discípulos que aprendem de seu Senhor e Mestre, Jesus Cristo. A igreja também deve viver o evangelho que apregoa, sendo sal e luz do mundo, resplandecendo com astros no meio de uma geração corrompida e perversa. Sendo a coluna e firmeza da verdade, vivendo em integridade e labor missionário sempre.
Não deve jamais desviar de seu foco, de ir e fazer discípulos, ainda que algum momentos tenha que “alimentar as multidões famintas” como Jesus fez, mas em um momento, não tomar para si a responsabilidade de alimentá-los por todo o tempo. Deve praticar a justiça do reino e sinalizá-lo sem que para isso precise pregar outras ideologias partidárias ou filosóficas como se essas substituíssem o ensino bíblico. O evangelho é o poder de Deus que a igreja precisa crer e vivenciar. Vivenciar e pregar, por obras e em palavras, para que os gentios possam ver as nossas boas obras e glorificarem o nosso Pai que está nos céus, mas está agindo na terra entre e por meio de nós, igreja comprometida com a sua missão. Por fim, não tenho como esgotar e fechar uma temática tão ampla em apenas um artigo, mas a proposta é que possamos voltar a Palavra e redescobrir (se for o caso) qual a nossa missão nesse mundo como igreja enviada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo (e com o Espírito Santo).

BIBLIOGRAFIA
DEYOUNG, Kevin & GILBERT, Greg. Qual a Missão da Igreja? – entendo a Justiça Social e a Grande Comissão. Editora Fiel. Reimpressão. 2016. São José dos Campos-SP.
BLAUW, Johannes. A Natureza Missionária da Igreja. ASTE. 2ª edição.2012. São Paulo-SP.
SILVA, Esequias Soares. (Organizador). Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 3ª impressão. 2017. Rio de Janeiro-RJ.
Movimento Lausanne. O Compromisso da Cidade do Cabo – Uma declaração de fé e um chamado para agir. Encontro Publicações e Editora Ultimato. 2014. Curitiba-PR.
*Luciano Costa. O autor do artigo é pastor de tempo integral na Assembleia de Deus em Santana do Matos-RN. Pedagogo (UERN). Coordenador da EMITES (Escola Missionária de Treinamento Estratégico para o Sertão). Casado há 22 anos com Jussária Costa, pai do Lucas Ezequiel e da Lêda Soares. Atualmente é aluno no curso Plantador Intensivo Nordeste (sobre plantação de igrejas missionais), da Atos 29. Estudioso da eclesiologia e missiologia.








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