AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA A IGREJA
(Mas acredito que conseguiremos fechar algumas igrejas locais, se não atentarmos para...).
(Luciano Costa)

É indiscutível a questão do que Jesus falou em sua Palavra! As portas do Hades (Mateus 16.18) jamais prevaleceram ou irão prevalecer sobre a sua amada igreja! Isto é fato! Minha abordagem nesse breve texto irá se reportar a uma observação que tenho feito, que venho meditando, ouvindo, analisando!

Escuto muitos de uma geração que está passando, falando de seus feitos na obra do Senhor! Como se esforçaram para promover o Reino de Deus em suas comunidades, sítios, povoados, cidades.  Como não mediam esforços para tal. Ouço a nostalgia deles, escuto suas lagrimas quando falam do que fizeram e hoje já não podem mais fazer, a idade, as enfermidades as limitações da vida os impossibilitam, mas você sente que o coração deles gemem em contemplar as necessidades da obra do Senhor hoje. Mas eles estão passando o “bastão” para uma outra geração!

Agora, sim chego ao ponto que me preocupa, embora creia na onipotência de Deus e no cumprimento de todos os seus desígnios, e saiba que a sua igreja é triunfante nesse mundo, que ela é protegida e guardada por Ele, todavia, há um aspecto da obra de Deus que nos diz respeito, que Ele confiou a nós.

Há uma geração que está passando o bastão, há outra que deveria estar assumindo a sua responsabilidade! Há uma geração que precisa viver o seu tempo, entender o kairós de Deus. Contudo, percebo uma displicência quanto a nossa geração, sobre o legado que nos está sendo repassado, sinto que nós não queremos nos comprometer tanto, não queremos sofrer tanto assim, não queremos passar pelo os que nos antecederam passaram, ficamos seguros em dizer: “Os tempos mudaram! Hoje não precisa mais ser assim! Nós sabemos lidar melhor com os desafios da obra do que eles!”. Será?
O Darrin Partrick, autor do livro “O Plantador de Igreja”, tem um vídeo no youtube, no qual ele trata sobre uma igreja que surgiu no Século XIX, que impactou aquela comunidade, que evangelizou a sua geração, àqueles que estavam ao seu alcance, mas que ao passar duas gerações ela fechou as portas e hoje é apenas uma museu que conta a sua própria história.

Essa mesma história está repetindo em muitos lugares! Qual seria a causa? Segundo o autor do livro citado, a questão é que está faltando homens! Precisamos investir em nossos jovens! Investir em líderes que amadureçam e sejam idôneos para liderar e servir a igreja. Temos uma geração de rapazes que nunca deixam de ser meninos! Aquela igreja “fechou” porque não teve mais líderes, não houve mais homens para conduzirem a obra de Deus.

Essa tem sido a minha preocupação hoje, entre tantas como líder-pastor. Observo os nossos jovens, os rapazes e percebo que muitos não querem envolvimento com as atividades da igreja como liderança, missões, ensino, pregação. Muitos preferem o louvor, ou outras atividades, mas aquilo que vai exigir deles um maior comprometimento (e ai entenda, estou falando de liderança) eles dizem que não foram chamados para isso!

A grande questão é: Deus não continua vocacionado líderes entre nossos jovens hoje! Ou como disse Samuel, “Acabaram-se os mancebos”! Uma geração está passando, outra está chegando, mas como estamos chegando? Com qual disposição? Com qual nível de comprometimento com Deus e com a sua obra? O “bastão” está ai, quem vai segurá-lo?

As portas do inferno não prevalecerão, é verdade, mas nos devemos prevalecer em nome do Senhor Jesus! Nossas pequenas igrejas locais devem prevalecer! Como iremos prevalecer?

Precisamos rever o nosso discipulado.
Precisamos investir em ensino, mais do que em grandes eventos.
Precisamos apoiar os vocacionados na igreja e da igreja.
Precisamos treinar e mentorear novos líderes.
Precisamos como pais ensinar aos nossos filhos a se tornarem homens tementes a Deus.
Precisamos parar de ver o ministério pastoral e missionário como uma sacrifício para poucos (quase uma exclusividade para heróis).
Precisamos ser exemplo de líderes para nossa geração.
Muitas mais poderá ser dito sobre essa crise de homens e líderes, mas não quero trazer um longo texto senão uma breve reflexão. Que busquemos ver com temor e tremor essa questão.
Qual contribuição como líderes estamos dando para a próxima geração e como estamos passando o bastão para a ela?













“Por vezes, a igreja se ocupa na proclamação do evangelho, e se esquece de demonstrá-lo. Dizemos as palavras, mas não as vivemos. Frequentemente nossas vidas como cristãos são ineficientes porque reduzimos o evangelho às boas novas para a eternidade, nos esquecendo das boas novas para hoje. Repetidas vezes compreendemos nossas vidas como tendo duas partes distintas e separadas: a parte espiritual da vida e o restante da vida, nosso tempo nas atividades religiosas e nosso tempo na escola e trabalho. Reduzimos o cristianismo à esfera pessoal e particular, vivendo nossas vidas diárias de maneira pouco diferente das outras pessoas em nossa sociedade”. (Darrow L. Miller) 


O PERFIL DO PLANTADOR DE IGREJA NO SERTÃO.
Introdução: Tratar sobre a perspectiva sertaneja de plantação de igrejas se constitui um grande desafio, pois, embora sempre se tenha feito isso, pouco tem se debatido sobre o como se faz! São poucos autores que tem se dedicado a pesquisa, estudo e produção de referencial teórico sobre essa temática. Contudo se pretendemos obter êxito no processo de plantação e revitalização de novas igrejas no Sertão, precisamos sentar, debater, analisar, ponderar e estudar estratégias e metodologias a partir do texto bíblico para podermos expandir o Evangelho nesse contexto. Entendo que o plantador de igrejas é um elemento chave, uma peça fundamental no processo da plantação de novas igrejas; se essa “peça” não estiver bem trabalhada, bem treinada, e a menos que o mesmo tenha a convicção de seu chamado, poderá o mesmo não conseguir êxito no propósito de plantar igrejas pelo sertão!
I – Antes de tentarmos abordar quais características deve ter o plantador de igrejas no Sertão, se faz necessário apontar quais equívocos as vezes cometemos no processo de escolha-envio de um plantador de igreja:
a)      Escolher homens com talentos, mas sem um caráter cristão.
b)      Escolher pessoas que são próximas (amigos, parentesco) e confiar-lhes uma tão sublime tarefa.
c)      Não considerar a avaliação do suposto chamado desse obreiro. (é realmente uma pessoa vocacionada para isso?).
d)     Vejamos o que Darrin Patrick, relata em seu livro “O Plantador de Igreja – O homem, a mensagem, a missão”.
“Descobri que a principal pergunta com que tanto liberais como conservadores muitas vezes começam o processo não é: Este homem é cristão? Mas: Este homem pode fazer a igreja crescer? Essa questão principal é reveladora, e nos alerta para uma das razões por que há tantos homens que estão implantando e liderando igrejas mas não têm uma relação salvífica com Jesus Cristo”. (PATRICK. 2013).
II – O plantador precisa ser um homem resgatado.
“Ninguém, não importa quão habilidoso seja como orador, quão talentoso como líder, ou quão numerosos sejam seus distintivos teológicos, deve tomar para si a incumbência de pastorear a igreja de Jesus sem antes ter experimentado o poder salvífico do Pastor, em quem transborda a graça. Mesmo que um pastor/plantador de igreja seja um homem bom ou talentoso ou inteligente, o que ele precisa ser, antes de qualquer coisa, é um homem resgatado”.  (Darrin Patrick).
III - O plantador precisa ser um homem chamado.
“Jeremias é uma ilustração de como é ser chamado ao ministério pastoral. O ministério não é somente difícil, é algo impossível. E a não ser que tenhamos um fogo em nossos ossos nos compelindo, simplesmente não sobreviveremos. O ministério pastoral é um chamado, não uma carreira. Não é um trabalho que você exerce só porque gosta de atenção...” (Jr 20.9)


IV- Precisa ser um homem dependente de Deus. 
Temos dificuldade de aplicar isso na prática. Procuramos muitos meios de podermos ser producentes, sem contudo, entendermos que somos totalmente dependentes de Deus para fazer a sua obra.   “Nós nos tornamos mais dependentes quando reconhecemos a verdade do lema de Francis Schaeffer em nosso próprio ministério: “o que estamos fazendo não é apenas difícil – é impossível”. Para muitos de nós responder à pergunta “Estou vivendo em dependência de Deus?” é uma tarefa difícil.
Vou trazer algumas perguntas extraídas do livro O Plantador de Igreja:
1)      O que quero mais – conhecer a Deus ou realizar coisas para Deus? Alguns versículos para meditar: Filipenses 3.10; Êxodo 33.13; 1 Timóteo 4. 6-10.
2)      Quando foi a última vez que o Espírito Santo me impeliu a fazer algo? Versículos para meditar: João 4. 7-19; Atos 16.6-10.
3)      Estou consistentemente convencido de pecados em minha vida? Versículos para meditar: Hebreus 12. 5-11; João 16. 7,8; 1 João 3.9.
4)      Estou consistentemente aceitando o fato de que sou aceito por Deus por meio de Cristo? Versículos para meditar: 2 Coríntios 5. 17,21.
5)      Para onde vão meus pensamentos quando não sou forçado a pensar em algo especifico? Se sua mente vai imediatamente para o seu passatempo favorito, algo está errado! 
“É certo que não há fórmulas para aplicarmos sobre a nossa dependência de Deus; cada um sabe exatamente aonde deve se render a Cristo, quais áreas ainda não foram entregues, quais vontades ainda prevalecem, quais desejos ainda teimam em destoar o propósito sublime de Deus. A total dependência dEle nunca é algo acabado e pronto, é um morrer diário, é levar a cruz de cada dia, e a cada dia morrermos e sempre precisamos morrer para algo!” (Luciano Costa)
V- Em seu livro “Missionários para o Sertão Nordestino – desafios, capacitação e evangelização integral”, o pastor e professor Ildemar Nunes de Medeiros nos aponta alguns desafios que o missionário no contexto rural deve enfrentar:
1-      “Nesse contexto, os missionários devem estar preparados psicologicamente para suportar a ausência de recursos e de conforto encontrados em cidades maiores. Devem aprender a viver de maneira simples, buscando identificar-se com a comunidade para que, pelo testemunho pessoal, tenham credibilidade e, consequentemente, autoridade na pregação e ensino das Sagradas Escrituras”. (MEDEIROS. 2013).
2-      É necessário o missionário ser relacional. “Nesse contexto interiorano, os moradores facilmente conhecem uns aos outros e, quando alguém de fora chega, logo toda a comunidade toma conhecimento. (..) Os missionários enviados para o sertão nordestino terão, portanto de aprender a viver de modo relacional, sendo sociáveis e transparentes com os crentes e descrentes. Saber ouvir, observar, falar, dialogar e estabelecer a conversação é uma capacidade essencial em um contexto em que as relações interpessoais são muito fortes. Devem se deixar conhecer, contando histórias sobre a sua própria vida, como também buscar conhecer aqueles que desejam alcançar para Cristo... Desprezar esse aspecto da vida da comunidade é incorrer em grave erro e colocar a si mesmo em desvantagem”.
3-      O caráter do missionário precede todo e qualquer preparo, dons, talentos e habilidades. “Vale ressaltar um aspecto importante nesse processo de interação social a integridade moral do missionário. O homem do interior, em especial o sertanejo, dá um grande valor ao caráter das pessoas e certamente não aceitará o Evangelho se as ações e as atitudes dos missionários não forem condizentes com aquilo que eles pregam e ensinam”.
VII – Conceituando os termos, segundo Ronaldo Lidório em seu recém lançado livro, publicado pela Editora Cultura Cristã: “Plantando Igrejas”.
Igreja Local: Um grupo de pessoas transformadas pelo evangelho, comprometidas com Deus e umas com as outras por meio da obediência a Cristo e expressando os essenciais de uma comunidade cristã (Atos 2. 42-47).
Plantador de igrejas: Uma pessoa que, dirigida pelo Senhor, intencionalmente facilita a formação de igrejas locais.
Igreja autóctone: Uma igreja que possui autonomia para decidir e organizar a vida do grupo, bem como recursos humanos e financeiros para as demandas diárias.
# estratégias para plantação de igrejas no sertão:
1-      A oração é imprescindível no processo de planejamento e direcionamento para a plantação de novas igrejas. Em Atos 13, percebemos a igreja orando e jejuando e o Espírito Santo manifestando sua vontade e direção para a mesma! De igual sorte precisamos depender de Deus para tomarmos a iniciativa de enviar pessoas para plantar novas igrejas.
2-      A pessoa do plantador é uma peça chave para o processo. Este deve realmente ser convertido, ter o caráter cristão. Ser chamado especificamente para esse propósito. Ter habilidades para liderar e treinar pessoas para exercerem o trabalho na obra do Senhor.
3-      O apoio incondicional da igreja mãe enviadora e multiplicadora. É necessário dá ao plantador de igreja as condições necessárias par a execução do plantio, desde o seu envio chegada e estada no campo a ser evangelizado.
Finalmente, acredito que o perfil do plantador de igreja no sertão, é definindo através da convicção do chamado desde, de ser uma pessoa realmente regenerada, com um caráter cristão, que depende de Deus para sua ação missionária. Mas que também se permite ser trabalhado-ensinado em sua práxis missionária. Ninguém melhor do que um sertanejo treinado, bíblica e teologicamente para plantar igrejas no Sertão!

BIBLIOGRAFIA

PATRICK, Darrin. O Plantador de Igreja – O homem, a mensagem, a missão. Editora Vida Nova. São Paulo.2013.

MEDEIROS, Ildemar Nunes. Missionários para o Sertão Nordestino – Desafios, capacitação e evangelização integral. Betel Publicações. João Pessoa-PB. 2013.

LIDÓRIO, Ronaldo. Plantando Igrejas. 2ª edição revista e ampliada. Editora Cultura Cristã. São Paulo. 2018.

Luciano Costa. (II Fórum de Missões Rurais do RN – Caicó-RN) 16 e 17 de abril de 2019.


Acontecerá em julho de 2019, mas precisamente no período de 19 de julho à 1º de agosto de 2019, a sétima edição da EMITES. A EMITES é uma escola missionária de férias que tem acontecido no Sertão do Seridó. A mesma já tem treinado centenas de jovens e casais,e alcançado milhares de vidas com uma evangelização contextualizada e voltada para o o publico sertanejo. " Portanto,esperamos você nessa sétima edição que está com um Tema muito abrangente e profundo para estudarmos e pormos em prática: " Teu Reino, Tua Vontade... por uma Cosmovisão Bíblica do Reino". Reserve logo sua vaga! Viva intensamente seu chamado! ( Luciano Costa)

A MENTALIDADE RELIGIOSA DE ESCRAVO – QUANDO A RELIGIOSIDADE NOS TIRA A ALEGRIA DE SERMOS FILHOS DE DEUS!
Luciano Costa
Uma análise do texto de Lucas 15.25- 32.
Quando falamos sobre a parábola do filho pródigo, logo nos vem à mente o personagem do filho mais novo, que denota a mentalidade de alguém que não analisa as consequências de suas escolhas, nem pondera o resultado de suas decisões! Todavia, vamos começar nossa análise do meio para o fim da parábola, procuraremos focar na pessoa do filho mais velho.
Nem sempre ele é detalhado quando procuramos pregar ou ensinar sobre essa parábola. Mas é precisamente sobre ele que quero tratar nessa oportunidade. Então vamos lá...
Ao iniciarmos a observação do texto que trata especificamente do filho mais velho onde o encontramos? “ E o seu filho mais velho estava no campo...” (v.25a). Interessante observar, que enquanto a festa estava acontecendo na casa de seu pai, ele estava por fora, ainda estava “trabalhando” e não havia notado, ou se sabia não queria tomar parte do que estava acontecendo na casa de seu pai. “ ...e quando veio e chegou perto de casa...” (v.25b). Perceba, que acontece uma demora, do filho mais velho em chegar em casa, e quando veio, na verdade ele não veio de fato, talvez quisesse constatar se o que ele mais temia, estava realmente acontecendo. “Ele ouviu a música e as danças” (v.25c) Após se certificar do que estava acontecendo ele chama um servo. “E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo”.  (v.26) Ele não precisava chamar um dos servos para resolver seus problemas nesse momento, nem para ter toda a certeza do mundo que verdadeiramente seu irmão havia retornado, bastava ele entrar e falar com o seu pai, e rever seu irmão. Quantas vezes nos também não já agimos assim? Resolvemos não participar daquele culto, daquela festa porque achamos que não era justo, não era para ser assim? Não concordamos, nos isolamos, nos embrutecemos e perdemos a sensibilidade à voz de Deus! E aqui não quero me isentar de minha culpa, isso já aconteceu comigo, talvez de uma maneira mais ridícula do que a do filho mais velho.
Há pessoas que preferem se relacionar com os “servos” do que ir direto ao pai! Foi o que ele fez, e obteve a resposta do servo: “E ele lhe disse: veio teu irmão, e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo”. (v.27) As boas novas foram dadas! Seu irmão voltou, ele está vivo! Ele estava perdido e foi achado, estava morto e reviveu! Qual a reação dele? Como reage alguém que tem uma mentalidade de escravo? Uma pessoa que sua religiosidade fala mais alto? Com o tempo se não tivermos cuidado, substituímos nosso relacionamento com o Pai, por atitudes meramente religiosas, que podem até ter aparência de “piedade”, mas que não demonstram a essência do amor cristão!
Nesse capitulo 15 de Lucas, é o capitulo que fala da alegria, do jubilo das coisas que estavam pedidas e são achadas! A mulher se alegra quando acha a dracma perdida, o pastor quando finalmente encontra a ovelha perdida, o pai quando seu filho retorna a casa paternal, somente o filho mais velho contrairia tudo e todos, quando não há alegria em ver seu irmão restaurado! Sua reação é totalmente absurda: “ Mas ele se indignou e não queria entrar”. (v.28a)
Mas por quê ele se irou tanto? A ponto de não suportar a presença de seu irmão junto ao Pai em sua própria casa? Veja, que ele nem deu a oportunidade de seu irmão revê-lo, falar com ele, quem sabe pedir perdão? Não ele estava resoluto, não demonstraria perdão ou misericórdia com o seu irmão! É próprio de pessoas com esse espirito de religiosidade quererem que os outros sejam como eles, se vistam como eles, falem como eles, quem sabe comam ou durmam como eles...
Ele não entrava por nada nesse mundo. Sua opinião era, não compactuo com isso, meu pai está equivocado em dá uma chance para esse desmantelado! Todavia, o mesmo pai que havia saído ao encontro do filho pródigo que estava fora de casa, é o mesmo que sai ao encontro do perdido dentro de casa! Com o mesmo amor e com a mesma paciência! “ E, saindo seu pai, instava com ele”. (v.28b) O pai não achou constrangedor deixar o clima de festa que havia “dentro da casa do Pai” para ir em busca do filho mais velho que estava revoltado e amargurado lá fora. Ele simplesmente deixou todos dentro e foi em busca de seu filho, não queria perdê-lo, não queria que ele pudesse se perder de inveja e ciúmes! O pai insistia com ele, o texto não relata quais foram as primeiras palavras desse diálogo, mas podemos conjecturar: “ Meu filho deixa de besteira, para que isso? Seu irmão voltou, ele está bem, vamos celebrar a vida, vamos celebrar a restauração! Não precisa ficar assim, meu filho”!
Contudo, uma pessoa que não tem a mentalidade de filho, [sendo filho e tendo um pai amoroso], não conseguirá jamais compreender a manifestação desse amor! Perceba como ele respondeu ao amor e busca de seu pai, como ele retribui o amor que o seu pai lhe demonstra: “ Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que eu te sirvo há tantos anos...” (v.29) Ele nem reconhece seu pai como pai, nem lhe chama de pai! Enquanto o filho mais novo sempre se dirigia ao seu pai chamando-o de meu pai! (Lucas 15.12,17b,18a,21). E o filho mais velho? Nenhuma vez sequer chama-o de pai. Em outra tradução diz que ele fala: “Há muitos anos que eu trabalho para você como um escarvo! ” Você pode perceber como essa mentalidade de escravo era forte nele? Ele jamais se percebeu como filho, mesmo nos anos que ele ficou como filho único em casa!
Outra coisa, sua soberba espiritual e religiosa. Ele se compara ao seu irmão mais novo, tenta fazer o pai desacreditar em sua recuperação e joga em rosto o serviço prestado, dizendo que não foi remunerado, nem recompensado pelo mesmo. “...sem nunca transgredir o teu mandamento...” (v.29c) Religiosidade misturada com legalismo, dá nisso, em uma falsa concepção acerca de si próprio, advoga para si uma justiça quase perfeita, nunca falhei, você sabe! Sempre obedeci a tudo, sempre fui submisso! A pessoa nem precisa da graça de Deus, ela cumpre toda a Lei, ela não precisa de misericórdia, nem precisa de perdão, perdão para quê? Se eu não falhei, pessoas assim jamais se arrependem, jamais reconhecem seus erros, mas são peritas em apontar os erros dos outros e a agirem sem nenhuma misericórdia! Se jamais se arrependem, jamais serão restauradas ou perdoadas! Ficam de fora da casa do Pai esbravejando suas “próprias justiças”.
São completamente ingratas: “...e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com meus amigos”. (v.29d) Crentes assim, nunca estão satisfeitos! Nunca têm o suficiente. Ele sendo filho poderia usufruir a hora que quisesse daquilo que o pai tinha, tudo, tudo mesmo estava a sua disposição, mas...sua mentalidade era de escravo. Era um religioso que precisava fazer por merecer, e não se percebia como um filho amado. O religioso não se alegra por nada nesse mundo ele vive procurando falhas nos outros, procurando defeitos, ele não adora no culto, ele fica olhando o que os irmãos fazem ou deixam de fazer! Ele não percebe que está cercado pelo amor do Pai, ele não percebe o cuidado e afeto paterno direcionado a sua vida!
O filho mais velho está tão contaminado por sua religiosidade e mentalidade de escravo que não aceita nem o seu irmão como irmão novamente, como ele trata da questão:       
“ Vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado”. (v.30) Ele está dizendo eu trabalhei tanto, honrei ao senhor, fiquei aqui o tempo todo, não desonrei a família, mas de que adiantou tudo isso?  Se o queridinho do senhor é ele? Ele sim, fez tudo errado e agora está aí a maior festa para ele, veja você mesmo, isso é uma injustiça tremenda! Era como se ele dissesse, de que adianta ser justo, trabalhador, servir incansavelmente? Era a mentalidade de escravo falando mais alto, era tudo o que ele tinha, não tinha como pensar de outra maneira! Ele diz” teu filho”, “tua fazenda”  como se ele não fosse mais o seu irmão, como se a fazenda não fosse dele também?!
Veja o que o pai lhe assegura: “ E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo...” (v.31a) É muito lindo o amor do Pai! Veja, ele não diz você sempre “estava comigo”, ele diz: “ Filho, tu sempre estás comigo...” Meu amigo é uma revelação incrível da Palavra de Deus! O pai ainda estava com ele, e o considerava ainda na sua presença com todos os direitos. Primeiro o relacionamento “está com o Pai”, depois as bênçãos! Precisamente nessa ordem, ele reivindicou coisas, posses, o Pai lhe propôs relacionamento, presença, contato, comunhão! Aleluia! Aí em seguida o Pai lhe assegura novamente: “ ... e todas as minhas coisas são tuas”. (v. 31b) Se você me tem como pai, você também terá tudo o que é seu por direito como filho! Glória a Deus!
Mas o pai ainda o esclarece, que na verdade não havia nenhum equivoco em receber o seu irmão mais novo... “ Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e oi achado” (v.32). O pai dizia para ele, a razão de tudo isso meu filho é que seu irmão está vivo, ele foi achado, muitos pensavam que ele tinha morrido (quem sabe até o seu próprio irmão, desejasse isso), mas teu irmão vive, ele voltou e agora é um de nós novamente, ele foi restaurado.
Interessante que é exatamente nesse ponto que a narrativa se encerra. Jesus não diz o que aconteceu com o irmão mais velho, e aí? Qual final você vai dá a essa história? Qual mentalidade você tem? Como você reage diante do extravagante amor do Pai? Você fica ofendido? Acha que é uma injustiça o pai perdoar aquele que não merece? Pergunto, quem merece?  Qual justiça é a verdadeira justiça a do filho mais velho ou ao do Pai amoroso e misericordioso?

Luciano Costa. 16 de novembro de 2018.









UMA PALAVRA DE ÂNIMO AOS PEREGRINOS...
Texto: Hebreus 11. 32-40

Introdução: Faltou tempo, espaço para o autor de Hebreus apresentar a lista de exemplos de salvos que permaneceram firmes na fé, mesmo ante as maiores perseguições e oposições. O que eles nos disseram através de seus exemplos? O legado deles pode servir de inspiração hoje ainda? Vamos, portanto, a nossa reflexão sobre essa palavra de encorajamento àquela comunidade judaica, convertida que era perseguida por causa de sua fé.

1-      A principal característica que o autor cita, está bem evidente em todo o capitulo: “ Os quais, pela fé...” (Hb 11.33a). Será que estamos cultivando uma vida pautada no princípio da fé? O que andamos realizando “ pela fé...”?
2-      O que eles fizeram pela fé? “ Venceram...”. Muito bem, hoje se canta muito sobre vitória, se profetiza muito sobre vitória, (não há nada de errado em crer na vitória...) a questão é como essa vitória nos é apresentada? Qual o sentido da palavra vitória para nós hoje, igreja de Cristo nesse mundo hedonista, pragmático e secularista?
3-      O autor continua: “Pela fé praticaram a justiça...” Será que nossa fé nos leva, conduz a prática a justiça?  (Mt 5.6,10,20; 6.33).
4-      Foram firmes mesmo em meio às fraquezas: “...da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram...” (Hb 11.43) O que acontece com muitos de nós hoje quando nos sentimos fracos? Quando atravessamos duras batalhas? (Rm 8.26; II Co 12.9-10)
5-      “Uns foram torturados, não aceitando seu livramento, para alcançarem uma melhor ressureição”. (Hb 11.35). Pergunto, até onde estamos dispostos a sofrer por amor a Cristo? (II Tm 1.12; II Tm 2.9) “Estamos dispostos a focar no que é eterno em detrimento do que temporal e passageiro? ” (II Co 4.16-18).
6-      Não sei se devo dizer, mas a verdadeira fé em Cristo não só nos trará bênçãos e vitórias... “ Outros experimentaram escárnios e açoites...” (Hb 11.36) Por quê? Por causa da fé. A fé proporcionou isso! (II Co 11.24).
7-      A lista prossegue: “ Forma apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada andaram vestidos de pelos de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados”. (Hb 11.37) Não havia lugar para eles! Não havia espaço, não era favorável, havia perseguição!
8-      A verdadeira identidade dos peregrinos. “ Homens dos quais o mundo não era digno. Errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra”. (Hb 11.38). O mundo achava que eles não eram dignos, mas o Espírito Santo deixa claro era o mundo que não era digno deles!
9-       Observem que eles também obtiveram “ tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa...”. (Hb 11.39). Eles obtiveram bom testemunho por causa da fé...
10-   A partir do cap. 12 o autor se direciona especificamente a nós. O conselho é prático (Hb 12.1).
11-   Qual o nosso foco, ( Hb 12.2). Como manter esse foco?
a)      Olhar- para onde? Olhar para Cristo, apesar da grande nuvem de testemunhas que ele apresenta no capítulo, Jesus é o Sol da justiça, devemos ser guiados pela sua luz.
b)      Suportar – O quê?  A cruz! Não troque sua cruz, não a despreze.
c)       Desprezar- o quê? Despreze a afronta! O escárnio, a zombaria, o agravo, as contrariedades, etc.
d)      “...e assentou-se à destra do trono de Deus”. ( Hb 12.2). Jesus pelo gozo que lhe estava proposto suportou! E nós? Temos preciosíssimas promessas para pudermos desprezar toda a afronta, todo o obstáculo e continuar firmes olhando para Jesus, Ele é a nossa maior recompensa!
e)      Considerar – o quê?  Considere o próprio Cristo como exemplo! Ele sofreu, Ele padeceu em nosso lugar...
f)       Suportar – o quê? Suporte até o fim, persevere! “Eu não acredito num Evangelho em que alguém deixa a igreja por causa de uma oportunidade, cargo, função... Não há centralidade de Cristo nesse Evangelho, há caprichos e desejos humanos de ser reconhecido ou de usufruir do Evangelho em benefício próprio! ”
g)      Para qual propósito? “Para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos”.  (Hb 12.3).

Concluindo: Por que muitos acabam desfalecendo na fé? Por que muitos ficam fracos na fé? Será que deixaram de olhar para Jesus? Olharam para os homens, para a instituição religiosa? O autor deixou essa palavra de encorajamento aqueles irmãos e serve para nós hoje também, olhemos para Jesus! Suportemos a cruz, desprezemos a afronta, consideremos o que Jesus passou por nós! Uns venceram reinos, praticaram a justiça, apagaram a força do fogo, colocaram exércitos em fugida, e tantas outras maravilhas; todavia o autor diz, que outros, foram serrados, tentados, mortos ao fio da espada, perseguidos, andaram errantes pelos desertos e cavernas da terra, percebe? O autor diz que pela fé eles venceram, mas aconteceram coisas e fatos diferentes com eles. Assim tem sido a igreja ao longo da história sempre teremos os mártires, temos também os que escaparam com livramentos, mas o relevante é permanecer firme até o fim!

Luciano Costa. 6 de setembro de 2018. Doutrina. AD – São Fernando-RN


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