“ Por quais meios se avalia um ministério pastoral? Pelas almas que foram ganhas? Pelo conhecimento do pastor? Pelo seu porte? Por suas posses (próspero= bem-sucedido)? Pelos prédios que este constrói? Temo que estejamos procurando reconhecê-los pelas coisas secundárias! Por algumas evidencias que não denotam caráter cristão, mas produtividade! Por visibilidade e não por comunhão com Deus! Por méritos humanos e não pela dependência contínua do Senhor! Por relatórios forjados e não por relacionamentos saudáveis! Por técnicas e metodologias de fazer membros, sem, contudo, torna-los discípulos de Cristo! Eu temo que muitos de nós estejamos “ganhando” o mundo e perdendo o que de mais precioso poderíamos ter: caráter cristão, integridade, família, casamento, filhos, comunhão com Deus e afins! Mas mesmo assim podemos sermos vistos como “líderes de sucesso”! Pois, é visível o nosso crescimento!??Maturidade e crescimento espiritual nem sempre são “produtos” que podemos ver na vitrine!”
 ( Luciano Costa) 7 de junho de 2016
Uma religião folclórica para um novo tempo...

Nos primórdios da história da teologia cristã, sacerdotes, bispos, teólogos e leigos levavam o estudo sistemático da Palavra de Deus a sério. Não negociavam princípios doutrinários custasse o que custasse. Atualmente há uma valorização exagerada da experiência em detrimento do conhecimento. Pedro já nos alertou: “ crescei na graça e no conhecimento...” (II Pe.3.18). Deveríamos considerar que,
 “ A teologia é inevitável na medida em que o cristão (ou qualquer outra pessoa) procura pensar de modo coerente e inteligente a respeito de Deus. (...). Sem a reflexão formal a respeito do significado do evangelho da salvação que é parte da teologia, ele se degeneraria rapidamente para a condição de mera religião folclórica e perderia toda a sua convicção da verdade e sua influência sobre a igreja e a sociedade”. (OLSON. p. 14. 2001).
Corremos o risco de nos lançarmos a uma espiritualidade destituída de conteúdo, inócua, e sem fundamento bíblico.
A substituição dessa “reflexão formal a respeito do significado do evangelho”, como bem expressou Roger Olson, nos remete a uma igreja que marcha sem propósito. Prega muito, mas sem fundamentação teológica, quer ser relevante para o mundo, mas copia o modelo de sucesso do mesmo. Reivindica o sagrado para si, mas compactua com o profano. Troca a glória de Deus, por glórias humanas. Enfim se torna uma religião folclórica. Que vive de extremos, e ao que parece,
 “ Nos nossos dias, porém, parece que o pêndulo já chegou à extremidade oposta, já que muitos cristãos sabem pouco ou nada a respeito das doutrinas cristãs ou de como e por que se desenvolveram. O cristianismo está correndo o risco de se tornar uma religião folclórica de culto terapêutico e sentimentos pessoais”. (OLSON. p. 17. 2001).
            É sabido que os falsos profetas aproveitarão essa falta de conhecimento (Os 4.6), para disseminar seus falsos ensinos e suas heresias. Mas o que caracteriza um culto dessa religião folclórica? Pus-me a refletir sobre como seria esse culto, que elementos compõem o mesmo, e cheguei a seguinte conclusão:
·         É um culto onde o homem está no centro, antropocêntrico;
·         Onde a performance do líder dita o ritmo e que tipo de adoração acontece no mesmo;
·         É um culto terapêutico (não que não o deva ser, Deus faz maravilhas no meio de seu povo), mas o cerne do mesmo é bem-estar e a prosperidade do homem e não a glória de Deus;
·         É um culto no qual a teatralização é o forte, carregado de simbolismos e de intervenções de quem o dirige;
·         É ritualístico, cheio de ritos de passagem, criados com finalidades específicas;
·         É um culto no qual o sensacionalismo e o “duelo” do Bem com o mal, é evidenciado e explorado com shows de exorcismos e de uma práxis mítica e etc.
·         Não há espaço para a exposição da Palavra, no lugar são decretados “atos proféticos”, e determinações coletivas; 
·         Atenção está voltada para algo, algum objeto, algum “ponto de contato” e não para Cristo, este às vezes é apenas mencionado, mas a ênfase é noutra coisa;
Enfim, como disse, é uma religião folclórica, onde a forma é mais relevante do que o propósito; no qual há a determinação do “sagrado” através de lugares, de “ dias específicos”, de determinadas ações programadas pelo homem, nas quais Deus “ está obrigado” a comparecer e cumprir com o seu papel, já bem determinado pelo homem!
Concluo, com esse pensamento, que fiz há algum tempo: " Se não voltarmos para a Palavra de Deus, iremos sim praticar uma religião folclórica e uma espiritualidade popular, que nos manterá no engano e nos levará ao fanatismo!"  
Fonte citada: OLSON, Roger. História da Teologia Crista – 2000 anos de tradição e reformas. Editora Vida. São Paulo. 2001)

Luciano Costa – É Pedagogo, pesquisador da História da Igreja e do Pentecostalismo no Brasil. Atua há 9 anos plantando igrejas no Sertão do RN. Casado com Jussária Morais e tem um filho Lucas Ezequiel. Hoje lidera a Assembleia de Deus na cidade de São José do Seridó/RN


O Projeto Boas Novas para o Sertão apoia e faz parte dessa ideia. EMITES! Porque o Sertão precisa de Jesus. Vamos treinar vocacionados e ajudar as lideranças a ampliarem a sua visão e ação evangelizadora nessa campo tão vasto, tão esquecido que são as comunidade rurais de nosso sertão. Junte-se a nós! Vamos ganhar os sertões para Cristo! Luciano Costa.


Após alguns anos de pesquisas bibliográficas, o Ev. Luciano Costa ( Assembleia de Deus - IEADERN) lança seu primeiro livro. Segundo o autor, o texto relata de forma concisa e clara o surgimento e a expansão do movimento pentecostal no Brasil. Ele também relatou já que já está pequisando e orando sobre um segundo volume, que seria especificamente sobre os neo pentecostais.


Diferenças entre o Pastor e o Missionário

1-    O pastor ver o rebanho que deve crescer e produzir;
2-    O missionário ver as almas que andam desgarradas sem pastor.
3-    O pastor pensa em ampliar o templo e dá mais conforto aos crentes;
4-    O missionário em alcançar mais uma comunidade, distrito, povo não alcançado.
5-    O pastor se preocupa com os recursos para poder melhor administrar;
6-    O missionário pede a Deus que supra suas necessidades e não deixe faltar o seu sustento básico.
7-    O pastor para assumir novo campo, pergunta: “_ será que é combatível com meu orçamento?”
8-    O missionário, indaga: “_Será que este é o lugar que o Senhor quer me enviar? É nesse lugar onde ganharei muitas vidas para Cristo?!”.
9-    O pastor consegue construir patrimônio particular, carro, casa, outro bens;
10- O missionário continua na peleja para ter o seu sustento garantido, e para ajudar a fazer a creche, orfanato, lar abrigo, etc.
11- O pastor tem muito auxiliares ao seu dispor, para o ajudar a fazer a obra;
12- O missionário as vezes pode contar apenas com a sua família no campo.
13- O pastor é bem visto, estimado pelo seu trabalho;
14- O missionário nem sempre tem o seu trabalho reconhecido e/ou visto.
15- O pastor pode andar elegante, ternos novos, sapatos etc. Com a sua família também;
16- O missionário deve continuar tendo a aparência simples, pois a sua missão não lhe permite conforto ou algum “luxo”!
17-  O pastor pode até ganhar carro da igreja (dependendo da igreja);
18- O missionário as vezes ganha uma bicicleta.
19- O pastor tem status;
20- O missionário “estafa”.
21- O pastor ganha muitos presentes no seu aniversário;
22- O missionário as vezes nenhum e-mail ou telefonema.
23- O pastor é jubilado com salários(s) garantidos pela igreja;
24- O missionário quando retorna nem sempre tem onde morar e em alguns casos cai no ostracismo!
25- O pastor nem sempre vai para os lugares mais difíceis;
26- O missionário deve ir onde ninguém quer...
27-  Para o pastor vir pregar a melhor hospedagem, um lugar bem preparado;
28- Quando o missionário vem pregar, coloca lá no quartinho por trás da igreja, porque missionário é missionário, todo lugar dá certo!
29- Para o pastor um terno novo;
30- Para o missionário roupas usadas, e sapatos doados.
31- O pastor é cuidado por toda a igreja, amado, acolhido;
32- O missionário ainda continua tentando conquistar o povo para o qual foi enviado.
33- O pastor lidera, ensina, delega responsabilidades a outros;
34- O missionário tem tarefa, uma missão que não pode repassar a alguém e as vezes não tenho com quem dividir o peso de sua responsabilidade.
35- O pastor é um líder que consegue estabilidade eclesiástica e até financeira;
36- O missionário muitas das vezes nem consegue permanecer no campo para o qual foi enviado por faltas de recursos.


Muita mais poderia ser dito sobre as diferenças entre estes dois servos de Deus que desempenham relevantes funções no Reino de Deus. Não é regra geral o que foi dito, há as devidas exceções, mas é uma conclusão que pode ser tirada se olharmos por esse prisma.

Luciano Costa. 15 de janeiro de 2015


Amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, é com imenso prazer que abrimos mais uma inscrição para nossa Escola Missionária de Férias – EMFÉ. Um treinamento voltado para homens e mulheres comprometidos com a evangelização e que desejam doar suas férias para plantar igrejas no sertão nordestino. Duas vezes no ano, treinamos equipes para plantar novas igrejas no sertão em cidades e vilas onde o evangelho de Jesus Cristo é muito pouco difundido.
Composto de um período teórico e outro prático, buscamos não somente a transformação de vida e caráter dos alunos e sua capacitação como também impactar de forma poderosa a cidade e comunidade alvo de cada projeto. 
Se você se sente desafiado, ou conhece alguém com um chamado missionário mas não sabe por onde começar seu ministério, indique esse treinamento, que tenho certeza, será de grande utilidade. 
Se você é pastor e deseja se envolver, enviando um obreiro ou um jovem vocacionado, para dos dias 8 a 31 de Janeiro de 2016 participar da EMFÉ 2016.1, entre em contato em nossa página de contato e vamos juntos investir na vida desses vocacionados. 
A taxa de Inscrição da EMFÉ é de R$ 650,00, valor esse que cobre despesas de hospedagem no período teórico e prático, alimentação durante todo o treinamento, deslocamento do teórico ao prático. Ao realizar sua inscrição será necessário fazer o pagamento de R$ 200,00 que irá garantir a sua vaga, ficando R$ 450,00 a ser pago até o dia 20 de Dezembro de 2015.
 Vamos conosco nessa obra de levar Cristo onde Ele não foi anunciado!!!
 
Miss. Rodrigo Bellaguarda


Presidente da MEF 
PARCEIRO RADICAL DE MISSÕES NO SERTÃO
O Projeto Boas Novas para o Sertão, assume agora um novo desafio. Dessa feita na região do Seridó do RN. O Ev. Luciano Costa, assume a Assembleia de Deus em São José do Seridó/RN. Dentro do Campo Eclesiástico de Caicó é o menor trabalho da Assembleia de Deus, são cerca de 30 crentes, é um trabalho que há anos vem sofrendo dificuldades em seus crescimento.
Após receber o chamado de Deus para aceitar esse desafio, o pastor dedicou juntamente com sua família um tempo para oração para que pudesse ter a certeza que realmente era esse o tempo de Deus para assumir um desafio dessa natureza. Estava pastoreando uma igreja de porte médio com cerca de 140 crentes no campo de Pau dos Ferros na cidade de Riacho de Santana/RN. Contudo, aceitou o desafio de ir onde o Senhor o estava enviando. Portanto, eu estou lhe desafiando a interceder por nós e a se tornar um “Parceiro Radical em Missões no Sertão”, entendemos que parcerias proporcionam avanços no Reino de Deus, especialmente em lugares semelhante ao que estamos servindo ao Senhor da Seara!
Então dentro da perspectiva é que apresentamos o “Parceiro Radical de Missões no Sertão”, que tem o propósito de formar parcerias para que Deus venha a mudar a realidade do Evangelho nessa cidade. Precisamos de suas orações e de sua ajuda.
Você pode nos ajudar, sendo um “Parceiro Radical em Missões no Sertão”.
1 – Orando e intercedo para que o Senhor venha a mudar essa realidade;
2- Vindo participar conosco de uma evangelização, trazendo uma caravana pré-agendada para somar conosco e ganharmos almas para Cristo;
3- Contribuindo com ofertas, cestas básicas, bíblias e etc;
PARCEIRO RADICAL EM MISSÕES NO SERTÃO:
12 (MESES) R$ 100,00 (   )
12 (MESES) R$ 50,00 (   )
12 (MESES) R$ 20,00 (  )
QUALQUER VALOR E POR TEMPO INDETERMINADO R$ __________ (   )
OBS: Sua oferta será destinada a realização de trabalhos evangelísticos, cruzadas, desenvolvimento de atividades evangelísticas, e outras. Também será usada para complementar o sustento do obreiro e família em suas necessidades básicas e atividades pastorais.
Caixa Econômica – Em nome de: Antônio Luciano da Costa Brito
Ag: 0560
Op: 13
Conta: 16.264-4
Contato: Luciano Costa
84 – 87640941 (Oi) 99553179 (Tim) – 988217423 ( Oi)
São José do Seridó/RN

Campo Eclesiástico de Caicó (Pr. Isaac Dias – Contato – 99018107)
HIPÓTESES SOBRE O DESACELERAMENTO DO CRESCIMENTO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL
(Luciano Costa)
Após dá uma olhada no vídeo que divulga o novo Projeto Eu Ganho Mais Um, projeto este lançado nacionalmente pelo CGADB e congêneres, um dado me chamou a atenção!! Vejamos, pois, a estatística que me deixou perplexo:
CRESCIMENTO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS
Anos 60/70 – 45%
Anos 70/80 – 22%
Hoje – Apenas 2%

A um longo processo de acomodação por parte das instituições quanto ao vigor e visão no decorrer dos anos. Nenhuma instituição consegue a longo prazo manter o mesmo ritmo e a mesma dinâmica sem que não seja necessário ocorrer mudanças em sua forma e modus operandi.
A igreja não está de fora desse processo de acomodação, como bem expressou Weber, acontece “a rotinização do carisma” e, por fim a “institucionalização do mesmo”. As AD’s começaram como um movimento, assim de denominava até pouco tempo atrás, um “Movimento Pentecostal”, ideia herdada dos suecos, e do pastor Levi Petrus, líder da Igreja Filadélfia em Estocolmo na Suécia, que era veementemente contra a ideia de denominação, sendo ligadas ao movimento de “igrejas livres” no referido país.
No princípio as AD’s no Brasil, cresceram entre ferrenha perseguição por parte dos Católicos e Protestantes que aqui estavam estabelecidos.  Contudo a ideia de que legitimava o movimento era exatamente a de que por não serem deste mundo, por isso eram perseguidos, esta constatação dava mais impulso aos novos conversos a militarem no evangelismo e “contra-atacar” as religiões pagãs ganhando seus adeptos para Cristo.
Deve nos preocupar tamanha disparidade no gráfico que mostra uma brusca queda no crescimento de uma igreja tão militante na área evangelística desde o seu início. Bernardo Campos, traça uma análise bastante interessante que pode nos ajudar a entender este fenômeno:
“Como se sabe, os movimentos religiosos – movimentos nos quais se destacam as expressões dos líderes – costumam viver um processo que inclui etapas como: 1- organização incipiente ou informal, surgida pela insatisfação com as igrejas existentes; 2 – organização formal; 3- eficiência máxima; 4- institucionalização em que as necessidades pessoais dos membros são suprimidas em favor das necessidades da nova organização eclesial; 5- desintegração. Em outro sentido, estas etapas podem ser caracterizadas como início, fusão, institucionalização, fragmentação e desaparecimento ou transformação. ”
Acredito que passamos por essas etapas. Agora estamos na “transformação” que requer adaptações várias por parte da instituição em agir e resolver seus dilemas sociais, administrativos e eclesiológicos sob esse prisma. Contudo, a fase-etapa mais difícil deve ter sido a de transição de “movimento pentecostal” à “denominação pentecostal”, houve muita resistência ao que era praticamente inevitável; pois como cresceu e se agigantou “precisou” se organizar como uma instituição religiosa e abrir mão do “carisma inicial”. Gedeon Alencar, nos informa como as ADs chegam aos anos 80.
“As ADs chegam ao final da década de 1980 celebrando uma “tradição”. Não podem mais ironizar (como faziam nos anos nascentes) as denominações tradicionais, porque agora ela é uma delas, com todas as vantagens e também os problemas. Grande, presente, solidificada, mas também dividida. Os ministérios cada vez mais se afastam uns dos outros, as Convenções não conseguem oficializar um modelo e os muitos pentecostalismos no mercado agora são opções válidas e concorrentes fortes. ” (ALENCAR. pág. 216. 2013).
A diversificação do pentecostalismo e o surgimento de novas igrejas “pentecostais” proporcionaram uma forte concorrência com a então majoritária Assembleia de Deus, que ao se aproximar de um século de existência se depara com os dilemas e exigências de uma grande instituição. A questão de ser tonar denominação é apenas um entre tantos desafios que esta tem que enfrentar. O crescimento provoca divisões por razões diversas, delimitação de atuação, em Estados, munícipios e até bairros das grandes metrópoles.
Então o “carisma” do início do movimento cede espaço para a burocratização, para a organização em setores, e etc. Outro fator era a sua escatologia pré-tribulacionista que impulsionava (não mais impulsiona?) seus membros a testemunhar sempre que possível, não importando a quem e o lugar. Hoje a evangelização se tornou algo “coletivo”, planejado, orquestrado e dirigido pela liderança e/ou quem ela determina.
O que era natural, agora se torna extraordinário! O que era diário, agora se torna evento! O que era missão de cada um, agora apenas é missão de todos??! Então acontece um arrefecimento na evangelização, por conseguinte a estatística comprova! ALENCAR. 2013, informa: “ Na década de 1990 a 2000, as ADs cresceram 245%. Em 1980, havia 2.439.763 membros e terminou o século com 8.418.140 membros na década seguinte 2000-2010, cresceu “apenas” 46%, alcançando 12.314.410 membros. ” Portanto, é visível que o crescimento diminuiu bastante, quem sabe por se perceber já como a maior igreja pentecostal do Brasil (alguns afirmam do mundo), a mesma haja se acomodado quanto a sua tarefa evangelizadora.
 Outros fatores podem também serem apontados como causadores do arrefecimento no crescimento assembleiano no Brasil.
 OUTROS FATORES QUE PODEM SER APONTADOS COMO CAUSA DO DESSACELERAMENTO DO CRESCIMENTOS DAS AD’s

Como foi dito, no decorrer dos anos o fervor inicial acaba sendo deixado de lado por novas maneiras e inovações que o cotidiano da sociedade em constante transformação acaba requerendo. Essas mudanças acabaram sendo ao longo do tempo algo que provocou resistência nas ADs brasileiras, logo os novos “modelos” pentecostais eram mais liberais: não pregavam uma vida ascética, utilizavam-se do rádio e da TV para pregar e realizar suas atividades evangelísticas.
1-     O fator dependência de Deus – oração e compromisso com uma vida de santidade.
É sabido que as AD’s cresceram com um colegiado de líderes em sua grande maioria leigos, pioneiros e desbravadores que pregavam pelo carisma do Espírito Santo, assim o “movimento pentecostal” assembleiano alcançou e logrou êxito em solo Tupiniquim. Nessa época, isto é, nas primeiras décadas (pelo menos até a década de 1950) a obra era levada a frente, através de muita oração, testemunho dado pelos novos conversos, e a chama pentecostal era o que impulsionava uma igreja crescente, que ainda não se preocupava com seu futuro denominacional.
Nesse período ainda não havia a grosso modo as disputas de “poder” e as decisões eram tomadas “sob a orientação de Deus”. Hoje a oração é relegada a segundo plano em muitas igrejas. São marcadas pelos segundos e minutos de um relógio, e o compromisso com a santidade também foi afetado.


2-     O fator a institucionalização do carisma. 
A questão da institucionalização do carisma é justamente o momento de transição de “Movimento pentecostal” para “denominação pentecostal”. Com todas as implicações que a mesma pode provocar a institucionalização era algo não premeditado, mas possivelmente inevitável. É difícil imaginar uma igreja tão grande sem uma organização institucional, porém há sempre o perigo das implicações burocráticas, administrativas mudar o ritmo, o roteiro que antes era privilégio de pessoas cheias dos carismas do Espírito Santo.
3-     O fator plantar novas igrejas.

O crescimento de uma igreja está relacionado a sua capacidade de plantar novas igrejas e discipular novos crentes para que estes possam discipular novos crentes e assim sucessivamente. A concentração nos grandes centros e capitais tem se tornado um impedimento ao avanço em outras regiões onde ainda não há igreja plantadas e nem testemunho do Evangelho. Mas o que houve com a preocupação inicial de abrir novos trabalhos e mantê-los? Por que se hoje somos uma igreja maior e a porcentagem de crescimento diminui? Onde estão os leigos que no passado eram os plantadores de igrejas? O que ocasionou esse estancamento no crescimento que a cada década minora mais? Darrin Pratrick, em seu livro O Plantador de Igreja, relata:
“Infelizmente, ao longo do caminho a igreja parou de plantar igrejas. Isso fez com que parassem de crescer e se tornarem antiquadas, perdendo seu impacto missionário e abandonado sua intenção original. Ela se distraiu da missão ao encontrar seu foco em sua própria estrutura. Essa tentação é tão séria agora quanto o foi na história da igreja. Driscoll escreve sabiamente que “uma igreja precisa estar tão formalmente organizada quanto necessária para abraçar sua missão e continuar nela, e nada mais”. Quando a igreja perde sua missão, ela perde seu alicerce, seu poder e sua influência”. (PATRICK. 2013. pág.245)

É evidente que não quero aplicar literalmente essa citação à nossa realidade como igreja; mas vejamos: não plantamos mais igrejas como antes, por isso o crescimento diminuiu. Também nos voltamos muito para a questão da instituição, em detrimento de outros aspectos que podem ser valorados sem, contudo, atrapalhar a instituição. Somos sim uma igreja relevante na nação, mas a acomodação não nos é favorável nesse momento.

4-     O fator teológico – novas teologias que cercam o arraial.
Nas questões teológicas, houve sim uma abertura para a aproximação de novas “teologias”. O pentecostalismo passa (com exceção) por uma “neopentecostalização” em suas práxis. Quando falo de uma neopentecostalização, fica evidente uma mudança não só comportamental, como por exemplo a questão dos usos e costumes, mas também na forma de crer. Não é raro as campanhas de libertação e outras, bem como em algumas lideranças e igrejas uma intensificação nos meios de arrecadação de ofertas. Pastores, líderes e escritores pentecostais tem sido ao longo dos anos influenciados pela teologia da prosperidade e do domínio; heresias provenientes dos EUA. Recentemente em um programa de TV veio um falso profeta norte-americano pedir ofertas estipuladas de até R$ 10.000,00 e isso com o aval de um “famoso” pastor assembleiano. Prometendo prosperidade e sucesso para quem assim ofertasse. 

5-     O fator acomodação e um visão centrífuga.

Quando olhamos o passado e a trajetória das AD’s somos tomados de um sentimento de nostalgia. Por décadas esta igreja foi exemplo em pioneirismo no alcance de novos campos, novas comunidades isoladas entre outras. Hoje, em muitas cidades e capitais a visão é outra. Estamos muito confortáveis em nossas catedrais. E agora em torno de 90% de nossas atividades estão voltadas para o público gospel, e em muitas igrejas quase não há mais planejamento para a evangelização. Nos envolvemos em tantas atividades que acabamos esquecendo do primordial: a evangelização e o discipulado. Esta é uma visão centrífuga, a qual foi praticada por Israel no AT, onde a adoração devia acontecer no Templo e todos deviam se voltar para ele, no intuito de adorar ao Senhor.






CONCLUSÃO

Há tantas razões para “justificar” essa drástica queda no crescimento anual das AD’s no Brasil, no entanto, é preciso admitir que todos somos culpados! Em face de desprezarmos a ação do Espírito Santo e provocarmos tantas mudanças no modelo pentecostal que recebemos no início do século passado.  É evidente que a igreja não passaria por uma sociedade em constante transformação sem esta também sofrer mudanças, todavia, se voltarmos ao lugar da oração, do quebrantamento, da santidade, do compromisso com a Palavra, com a prática da evangelização contextualizada e um discipulado relevante, com certeza obteremos melhores resultados.
Sabemos que hoje existem tantos modelos de “pentecostalismo” que são mais “atrativos”, pelo seu pragmatismo, hedonismo e misticismo. A AD’s ainda não consideradas como igrejas sérias, nossa igreja tem um legado histórico, doutrinário e pioneiro em nossa nação, convém olharmos para o passado e procuramos não cometer os mesmos excessos e erros, olharmos para o presente e percebermos que os desafios não são mais os mesmos em alguns sentidos, porém cabe-nos seguirmos superando os desafios, procurando melhorar a nossa práxis evangelizadora e discipuladora sem perder o foco.  



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